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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Série De quem é esse bebê 2 - Amor e Preconceitos

 Ela o amava, mas ele era casado, fiel, certinho, politicamente correto. E jamais olhara para ela. Todavia, todos sabiam que ele dera o golpe do baú ao se casar com a bela herdeira. Mesmo assim, sua moral e sua reputação  eram inatacáveis. Ele jamais traíra a esposa durante todos aqueles quatorze anos de casamento. Mas agora ela enfrentava um grave problema de saúde e tinha que dizer a ele que ambos tiveram um filho, cinco anos antes. Ele acreditaria nela ou pensaria que ela estava louca ao afirmar tal coisa? Ela destruiria a imagem de bom moço que ele construíra ao longo dos anos ao saber que tinha um filho com ela?E de onde surgira aquele filho se ele tinha a certeza de jamais ter traído sua esposa?
                                                              
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                                                       Mariah Carey

                                                        Hello - Beyonce                       
                                                                                                                            capitulo 1

   
            A bela mulher entrou na delegacia do Centro da Cidade muito irritada com o que lhe ocorrera e nem se preocupara com os olhares que eram lançados em sua direção. Era muito difícil que qualquer homem que percebesse sua presença, não virasse a cabeça para olhá-la, fosse pela beleza de seu rosto, fosse pelo corpo indecentemente provocante!


            Mas a moça não estava preocupada com o impacto que suas formas generosas ou o seu rosto bonito podiam causar. Estava muito, muito, mas muito irritada mesmo!  Um delinquente de dezesseis anos tentara assaltá-la com uma arma de brinquedo!



Michael Ealy
            Justamente naquela manhã, quando saía do hospital de astral mais baixo que o chão que estava debaixo de  seus pés, ao receber a confirmação daquele diagnóstico assombroso. Não lhe bastava ter  passado uma noite inteira rezando para que aquilo não acontecesse com ela!? Não fora suficiente ter chorado por toda a noite até não ter mais lágrimas para chorar?


            Tinha tantas coisas nas quais pensar, tantas providências para tomar que nem percebera que o indivíduo se aproximara de forma suspeita. Logo ela que desde que se entendia por gente aprendera a se esquivar de situações dúbias, que, como todo carioca esperto, vivia com um olho no padre e outro na missa, sempre evitando lugares ermos, becos escuros ou qualquer situação que provocasse estranheza de qualquer tipo.


            Por sorte, ela conhecia armas e percebera que o garoto só estava tentando assustá-la. Assim, ela partira para cima do agressor e o desarmara. Agora, estava ela, a vítima, sendo acusada de ter agredido um menor de idade. Quem fazia aquelas leis tão idiotas, afinal de contas? Ela sofrera uma tentativa de assalto e agora estava sendo punida por se defender! E o pior era que ela era uma advogada. Amava as leis e lutava para cumpri-las. Mas isso fora até o momento em que ela não era a parte interessada na ação. Naquele momento, tudo mudava. E ela pensava seriamente em mandar os Direitos Humanos para o inferno e esganar o adolescente com suas próprias mãos!


  Yara  estava começando a entender, aos trinta anos, que o mundo jamais seria perfeito ou tão cor de rosa como ela ansiava. E que o bom advogado não era aquele que conhecia bem as leis e sim aquele que conhecia bem o juiz. E certamente, se as acusações do menor procedessem, ela, em breve, estaria diante de um.


            Alguns policiais que estavam de plantão, ao passarem por ela, olhavam-na intrigados. Mulher de estonteante beleza, tinha um par de olhos azuis que chamavam a atenção. E ela sabia disso. Conhecia seu poder de sedução sobre os homens e, fosse como mulher ou como a boa advogada que era, sabia se defender, se virar em qualquer situação, por mais complicada que pudesse parecer.


            Só não sabia como se livrar do maldito diagnóstico que recebera horas antes. Contra aquilo não haviam criado leis nem argumentos.


            Assim, respirou fundo e esperou que o turbilhão de indignidade passasse. Ela sabia que não deveria ter agredido o garoto. voara para cima dele usando tudo aquilo que aprendera na academia de lutas marciais que frequentava ardorosamente. No momento em que se vira como mais uma das inúmeras vítimas que perambulavam pelas ruas da cidade maravilhosa, paranoicas e horrorizadas com tanta violência, nem pestanejara. Sabia que, em hipótese alguma ele poderia atirar nela. A arma não era de verdade. Sentiu-se forte e onipotente como uma super heroína, vingadora da sociedade da qual fazia parte, ultrajada por pertencer a imensa massa de pessoas que eram cotidianamente despojada de seus bens sem que nada ou ninguém tomasse qualquer providência. Pior! Algumas dessas infelizes vítimas acabavam perdendo a vida. Ou perdendo seus entes queridos nas mãos de um infeliz sem coração, que não tinha o menor respeito pela vida dos outros. E, em cada golpe que aplicava no camarada que ela julgara ser um usuário adulto querendo comprar as drogas nas quais era viciado com o suor de seu árduo trabalho, ficara violenta, fora de controle, pronta para mandar o safado para o raio que o partisse. Entretanto, quem poderia imaginar que aquele garoto de quase dois metros tinha apenas dezesseis anos? Ela vira um homem adulto e enorme diante dela a lhe apontar uma arma. Ia ficar quieta? Jamais!


            O delegado, que fora seu colega anos atrás no curso de Direito, balançou negativamente a cabeça ao vê-la, soltando, ao mesmo tempo, um enorme suspiro de resignação.


            - Ah! Tinha que ser você, não, Yara? Quem mais iria agredir um assaltante armado até jogá-lo no chão e arrebentar-lhe com todos os pontapés que fora capaz de desferir em poucos segundos. Sorte do garoto que a PM estava próxima. Senão, o pobre coitado estaria morto agora.


            - Pobre coitado? Um idiota me aponta uma arma, exige a minha bolsa e eu deveria ficar quieta? E olha o tamanho do pseudo menor? Parece um gigante. Ele deveria estar na seleção de vôlei ou basquete e não tentando assaltar mulheres desacompanhadas.


            - E se o camarada te desse um tiro? Sabe, como qualquer mortal que não se deve enfrentar um assaltante. Ele pode atirar a qualquer movimento suspeito. E, na maioria das vezes, eles atiram sem a menor provocação.


            - A arma era de brinquedo. - Disse com impaciência.


            - E se não fosse?


            - Mas era. Eu percebi.


            - E se você estivesse errada? Agora eu estaria tendo que encontrar alguém de sua família para dar uma notícia extremamente ruim, não? Devia ter pensado nas consequências. Mas como eu poderia me esquecer de que a bela Yara van der Vaart jamais pensa nas consequências de seus atos! 


            Ao ouvi-lo mencionar sua família, estremeceu. Agora só tinha sua irmã de quinze anos e seu filho com cinco. Quem cuidaria deles se lhe acontecesse algo ruim?


            - Vai me dar sermão? - Preferiu trocar o sentimento de dor e auto comiseração por uma irritação bem planejada. A raiva era bem mais fácil de lidar. Doía menos.


            - Embora eu seja o titular dessa delegacia, não posso esquecer que fomos vizinhos, que estudamos juntos, que frequentei sua casa durante anos, que somos amigos...


            - Então trate-me como mereço. Um delinquente me agrediu e eu devolvi a agressão. só isso.


            - Esse delinquente, além de menor, o que o faz protegido na lei,  tem um irmão muito importante. Pelo que apurei, o garoto é parente de pessoas bastante influentes.


            Aquilo não era nada bom. Ela conhecia muito bem a hipocrisia do mundo que a rodeava. Sabia que todos eram iguais perante a lei e que a justiça era cega. Todavia, a justiça, podia ser ruim de visão mas não era ruim de olfato. E, normalmente sentia o cheiro do dinheiro e a igualdade acabava quando quem precisava de ter a lei a seu lado tinha uma carteira recheada. Ou como alguém já dissera antes: "Todos somos iguais perante a lei, mas não perante os encarregados de fazê-las cumprir."


            - Sabe as implicações que a esperam, não? Que diabos, Yara! Você é uma advogada!


            Tal comentário levou-a a lembrar-se de uma outra frase que ouvira dias antes de um colega advogado que jurava que a A advocacia era a maneira legal de burlar a Justiça.


            - Sei... - Disse ela resignada. Mas não sou advogada criminal. Quem vai fazer o boletim de ocorrência?


            Embora Yara tentasse levar aquela situação irritante com calma e tranquilidade, tinha seu coração repleto de preocupação. Ela havia passado toda aquela manhã no hospital e estava preocupada por demais para prestar atenção em possíveis malfeitores que poderiam estar de olho em sua bolsa.


            Em algum momento do trajeto entre o local em que sofrera a tentativa de assalto e a delegacia, sentiu que iria fraquejar, mas conteve-se. Tinha que estar alerta para poder lutar contra todo e qualquer mal que a ameaçasse. Temia o futuro. ao menos, queria ter um futuro onde pudesse ver seu filho crescer, ver sua irmã cuidar da própria vida, ver as pessoas a quem amava encontrarem seus caminhos, seus lugares no mundo.


            Sacudiu a cabeça a finde afastar da mente aqueles pensamentos tortuosos.


            Yara  estava terminando seu depoimento quando um homem entrou aflito na delegacia de polícia procurando notícias sobre o irmão que, em sua opinião, fora conduzido até ali pela PM, depois de ter sido injustamente agredido por uma louca nas ruas do Centro. Queria saber por que não o levaram a um hospital para receber cuidados médicos.


  "Oh, meu Deus!" - Yara pensou horrorizada. Era Luciano Schineider, seu antigo patrão. Ela, há seis anos, havia feito parte do departamento jurídico do Grupo Lumiar. Fora seu primeiro emprego, assim que saíra da Faculdade de Direito, mais precisamente de um curso de especialização em Direito Empresarial.



Vanessa Willians
            Seu coração bateu forte ao vê-lo. Sua respiração ficara ofegante e um arrepio percorria seu corpo indo de alto a baixo. Até sua visão falhava. Precisou piscar os olhos várias vezes. suas mãos estavam suadas e sua boca ficara seca, de repente. E suas pernas tremiam tanto que ela pensou que desfaleceria.  Fazia tantos anos. Mas fora necessário. Não podia se trair e, era mais que óbvio que se continuasse na empresa dele, cedo ou tarde acabaria deixando que ele conhecesse seu segredo. E isso era tentador. Como poderia passar dias e dias ao lado daquele homem, vendo-o a todo instante e não contar a ele que ambos tinham um filhinho com cinco anos? Pior! Se estivesse ainda na empresa, teria corrido para ele e contado que, além de terem tido um filho, uma sombra ameaçadora de uma doença da qual ela temia até em pensar no nome, estava rondando-a, querendo deixar seu garotinho sem mãe e só no mundo.


            Luciano passara por ela, dera-lhe uma olhada casual e voltara sua atenção ao policial que se mostrava solícito ao vê-lo. Certamente, o policial o conhecia. Talvez de uma revista, talvez da TV. E tal constatação dava a Luciano um prazer inenarrável, apesar da razão que o levara até ali. Fazia muito bem ao seu ego quando as pessoas o reconheciam. Gostava de saber que era importante, por mais ilusório que tal sensação fosse.


            - Sou Luciano Schineider,  irmão de Nicholas Amorin e exijo notícias dele! - Disse como se fosse um deus pagão dando ordens a simples mortais.


            "Essa não!" Yara parecia atordoada. Com tantos homens no mundo, O seu assaltante tinha que ser irmão de seu ex patrão, o homem que lhe dera um filho e que não tinha a menor noção disso? Era muita falta de sorte. E o camarada, em nada era semelhante a Luciano. Como poderia ela saber? E por que um empresário rico como ele tinha um irmão assaltante, que nem tinha dinheiro para comprar uma arma de verdade e que estava vivendo as margens da lei?


            Luciano acompanhou o policial que o atendera. Viu o irmão, que estava numa sala especial para menores e conversou com o garoto.  Era certo que tinha algumas escoriações, mas as preocupações de Luciano em relação ao irmão iam um pouco além de algumas manchas roxas pelo corpo. Estava temeroso pelo futuro do irmão. Nicholas causava um problema atrás do outro e, a cada dia que se passava, os problemas iam ficando cada vez mais pesados.


            Todos com os quais conversavam, diziam-lhe que o garoto era carente de afeto, que fazia aquelas coisas para chamar a atenção.


            Em seus sombrios pensamentos, Luciano rezava para que Nicholas não chamasse a atenção de alguém que resolvesse dar um fim aquela sua necessidade de carinho e amor, de alguém que acabasse lhe metendo uma bala no meio da cara!


            Por que seu irmão não fazia como ele fizera quando passara pela mesma situação? ele frustrara a todos que não acreditavam nele que ele era forte, determinado e capaz. Tornara-se um milionário sem que tivesse que matar, assaltar, usar de meios ilícitos para atingir seus objetivos. Usara o que a vida lhe dera. Um cérebro. Um cérebro privilegiado que ele orientara para tirar o máximo possível e ainda mais. E, podia, gritar em alto e bom som, que era um vencedor. Quantas pessoa com a sua idade podiam fazer o mesmo?


            Não precisara esperar muito pelo seu advogado. Duarte, o assessor jurídico de sua empresa, chegara, imponente, em seu terno italiano,  a fim de conversar com o rapaz.


            Ao afastar-se, a pedido do advogado, Luciano sentia-se culpado pelo rumo que as coisas vinham tomando ultimamente. Seu irmão, exatamente como ele, era criado solto, sem que ninguém lhe impusesse limites. sua mãe sempre fora uma desmiolada e ele agradecia aos céus que seu tio Jair o tivesse criado enquanto a mãe, ex dançarina de teatro rebolado, vivia trocando de homens como quem trocava de roupas.

            Seu pai se casara com a bela mulata e a levara para a Alemanha. Era óbvio que a mulher de sangue quente não iria se adaptar a uma vida tranquila, com um engenheiro alemão e jamais conseguiria viver num país tão gelado quanto aquele.


            Ao se separarem, Seu pai, Gerd Schineider, ficara com sua custódia. Infelizmente, quando Luciano entrava na puberdade, seu pai morrera, vítima de um enfarte fulminante e o menino, que não era muito bem aceito pela família alemã de seu pai, fora mandado para o Brasil, para viver com a mãe.


            Nessa época, até fome o garoto passara. Regina era uma mãe totalmente esquecida do filho. Sua sorte fora o tio levá-lo consigo, depois de se cansar de ver o garoto com fome, com frio e largado pelas ruas de Cascadura.


            Por sorte, Jair conhecera Dora, casara-se com ela e levara o sobrinho para morar na casa onde Dora já vivia e onde todos  eles passariam a morar.


            E fora naquela casa que Luciano conhecera o pré adolescente Arnaldo Glier e seu irmão Armando, ambos deixados naquela casa pelos pais que haviam se mudado para a Europa. Por sorte, Dora era a governanta que cuidava dos irmãos e Luciano logo passou a se sentir parte daquela família tão estranha.


            Em pouco tempo, Armando Glier fora morar com os pais e então o gêmeo que sobrara, tornara-se mais que seu amigo.


            Enquanto iam crescendo, Michelângelo Montenegro, um menino das redondezas também acabou engrossando aquele cordão dos filhos desprezados pelos pais. E aquela amizade os unia até agora, quando os três já estavam na casa dos trinta e cinco anos e tinham criado aquele grupo empresarial que os transformara num trio milionário e cobiçadíssimo pois além de ricos, eram lindos de morrer.


            Certamente, o único solteiro entre os três era Michel. Todavia, por mais que as mulheres tentassem conquistá-lo, o louro era duro na queda.


            Arnaldo havia se casado há pouco com uma ex catadora de material reciclável e que fora contratada para ser a babá do bebê que aparecera, certo dia, na porta de sua casa. Mais tarde descobriram que ela era a verdadeira mãe da criança.


            E ele, Luciano Schineider, filho de um engenheiro alemão com a bela mulata Regina, se casara, há muitos anos, com uma rica herdeira que acabara por ajudá-lo a fazer parte daquela sociedade quando criaram o Grupo Lumiar, cujo nome tinha as iniciais dos três amigos.


            Num dado momento, Duarte, o advogado que ficara conversando com seu irmão, o chamou para colocá-lo a par dos acontecimentos.


            - O que? - Não conseguiu evitar que sua voz saísse tão alta a ponto de chamar a atenção das pessoas que se encontravam ali por perto. - Ele tentou assaltar uma mulher? O que? Tinha uma arma de brinquedo? O que? A mulher bateu nele? O que? Aquela mulher pequenina ali bateu no meu irmão que tem quase dois metros de altura?


            E proferiu um palavrão dos mais cabeludos, desculpando-se logo depois.


            - Lembra-se dela? - Duarte perguntou.    


            - Dela, quem?


            - Da moça que bateu em seu irmão.


            - Eu?


            - Sim, você. Com quem mais estou falando? Lembra-se ou não da moça?


            - Deveria?


            - Acho que sim.


            - É...  - Pensou um pouco depois de olhar mais demoradamente para a bela moça de olhos tão azuis quanto os dele. - Acho que a conheço de algum lugar...


            - Foi nossa funcionária. - Duarte esclareceu.


            - Foi, é?


            - Foi sim. Há alguns anos... Pediu demissão tão logo você viajou para o exterior a fim de implantar nossos serviços em outros países.


            - Ah... Acho que tenho uma vaga ideia. - E olhou para a moça que até aquele momento não lhe chamara a atenção. Só então reparou que,como ele, ela também tinha olhos azuis. E como ele, a pele dela era escura, o que deixava claro que um de seus pais pertencia a raça negra. Como não se lembrava dela? Mulatas de olhos azuis não eram muito comuns no Rio de Janeiro, exceto se usassem lentes de contato.


            De qualquer forma, a bela mulher tinha agora toda sua atenção. Era bonita demais e muito elegante e charmosa. Mas não podia esquecer-se de Amanda, sua esposa. Ela marcava colado e a vigilância que mantinha sobre ele era algo que apavorava o mais inocente dos mortais. Não que ele reclamasse disso. Até que achava divertido ver sua esposa tentar pegá-lo num flagrante que ele sabia, jamais existiria. Nunca ia dar motivo para que a sua esposa, que a cada dia se tornava uma megera numa escala dantesca, encontrasse nele qualquer fato que o desabonasse. Ele se casara com ela por livre e espontânea vontade, conhecendo muito bem o dominador gênio que ela tinha. Então, agora não daria uma de vítima e não se sentiria infeliz por que sua esposa estava fora dos padrões que ele traçara para sua vida. Viveria com Amanda até o último dia de sua existência e não se sentia infeliz por isso. Não a trairia, não falaria mal dela e não magoaria a mulher com a qual vivia há tantos anos. a única ressalva que lhe fazia era o fato de que Amanda não queria lhe dar um filho e ele queria muito ser pai.


            Agora que via o filhinho de Arnaldo correndo para um lado e para o outro, sentia-se triste por que os anos iam passando e ele não teria para quem deixar aquela imensa fortuna que vinha acumulando.


            - Já resolvi tudo. Podemos ir. - A voz de Duarte tirou-o outra vez de seus devaneios. Deveria estar ficando velho. A todo momento se distraía.


            - Como vamos?                                               


            - Já está tudo resolvido. Consegui retirar a queixa contra a senhorita bate em meninos e ela retirou a queixa de assalto.


            - É mesmo? E por que fez isso?


            - Queria que seu irmão fosse encaminhado a uma instituição para menores infratores?


            - Não, mas... Aquela mulher podia ter aleijado meu irmão.


            - E o seu irmão poderia estar agora num necrotério pois algum louco assustado com a violência e que, por acaso estivesse com uma arma de verdade, poderia tê-lo atingido.


            - Isso é verdade. - Aceitou a palavra do advogado. - Como conseguiu acabar com tudo?


            - Uma conversinha aqui, outra ali e a gente vai se safando das encrencas.


            - E poderemos levar Nicholas conosco?


            - É óbvio que levaremos. E por favor, tenha uma conversa com seu irmão. Um dia desses a gente pode vir parar aqui e ter uma decepção muito grande.


            - O que eu poderia fazer? Minha mãe não cuida dele. Nem posso enviá-lo ao pai pois nem ela sabe de quem ele é filho. - Desculpou-se encolhendo os largos e musculosos ombros.


            - Peça ao seu tio para criá-lo também como fez com você.


            - Tio Jair? Não. Eu não posso fazer isso com ele. Sabe que ele acha que é meu motorista e guarda costas, mas nem mesmo quis vir a delegacia. Nicholas ´é demais para ele.


            - Então, o que sugere?


            - Cuide dele você...


            - Eu? quer que minha mulher me expulse de casa? Amanda nem mesmo quer ser mãe! Não vai querer cuidar de um adolescente que só falta pendurar uma melancia no pescoço!


            Duarte olhou para seu chefe com os olhos brilhantes como se quisesse que ele mandasse a esposa plantar favas. Mas logo voltou ao normal. Entretanto, Luciano teve uma desagradável sensação de que sempre que se falava em Amanda, sua esposa, as pessoas pareciam não gostar muito do assunto. Enfim, encolheu mentalmente os ombros. Ela era sua mulher e não a mulher dos outros!


            - Tem alguma outra ideia? Uma que seja viável? Estou aberto a qualquer possibilidade.


            - Não. Mas arranje uma ocupação para ele. Afinal, o homem das brilhantes soluções sempre foi você, esqueceu-se?


            Luciano não se esquecera. Todavia, a luz que sempre o iluminara parecia momentaneamente apagada.


            - Arranje algo para ele fazer... - Duarte disse querendo afastar-se para ir falar com a advogada antes que ela partisse.


            - De que tipo? - Luciano insistia.


            - Sei lá. Coloque-o em sua empresa.


            - Já tentei isso. Ele só quer saber de ouvir funk, matar aulas, fazer zona pelas ruas, e agora, assaltar com armas de brinquedo. Acho que está usando drogas... Não seio o que fazer...


            O advogado sentiu-se tocado. Aquele homem a seu lado o impulsionara na carreira quando ele pensava em desistir. Era uma pessoa bem humorada, que dificilmente deixava as dificuldades aborrecê-lo ou transtorná-lo. E agora parecia derrotado pelo irmão de dezesseis anos.


            - Ouvi a doutora Yara dizer que ele deveria ser jogador de vôlei ou basquete... Sei que ela tem uma irmã adolescente, a quem educa com muita bravura. Talvez ela possa ajudá-lo.


            - Doutora o que?


            - Doutora Yara.


            - A tal que bateu em meu irmão?


            - Ela trabalha para mim. - Duarte falou quase em tom de desculpas.
                                    

            - Ela o que? - Ergueu as sobrancelhas confuso.


            - É minha funcionária.


            - Não disse que ela saiu da empresa?


            - Da sua empresa. Mas sabe que tenho meu próprio escritório e um grupo de bons advogados trabalhando para mim. Por isso, quis retirar a queixa. Não poderia defender seu irmão. Seria um conflito de interesses. Não poderia acusar minha funcionária, entende?


            - Pensei que... ah! Não importa o que eu pensei. - Deu de ombros.


            - Como vai sua esposa?


            Luciano surpreendeu-se com a mudança brusca de assunto.


            - Amanda está bem... eu acho.


            - Ela está viajando?


            - Não... - Respondeu sentindo-se desconfortável outra vez.


            - Dê-lhe minhas recomendações.


            - sim... Darei...


            Luciano estava pouco a vontade com aquela conversa. Todavia, ia se sentir pouco a vontade fosse lá qual fosse o assunto. Não queria falar de sua esposa, não queria falar de seu irmão e daquela mulher desconhecida, queria falar menos ainda.


            Mas alguma coisa na tal mulher o incomodava. Não sabia o que era, mas sentia que havia qualquer coisa que ele não conseguia alcançar, que ficara no fundo de sua consciência. Teria sido uma conversa?


            Intrigado, arrepiou-se quando seus olhos azuis cruzaram com os também azuis olhos dela.


            Não podia negar o fato de que ela era uma beleza. Entretanto, não era o tipo de homem que se deixava levar pela beleza de uma mulher. Não era vítima de assédio todos os dias? Não era quase impossível que se passasse um dia sem que recebesse uma cantada?


            Realmente se considerava uma vítima e não um camarada convencido, satisfeito por ser tão desejado por algumas mulheres. E não era assim mesmo? Que homem conseguiria ouvir as coisas que ouvia e se manter firme, fiel e leal a um casamento sem amor como o dele? Era, sem dúvida alguma, uma vítima! Mas, como fora ele mesmo que se colocara naquela situação, levava as coisas na esportiva.


            Mas nunca trairia Amanda. Por mais que a mulher que o cantasse fosse insistente, estonteante, deslumbrante, sensual, como já se deparara com algumas. Ele jamais  colocaria seu casamento em risco. Tinha um auto controle a toda prova. Nenhuma mulher conseguira quebrar aquela armadura com a qual se mantinha longe de complicações.


            Todavia, estava curioso com relação a morena de olhos tão azuis quanto os dele.


            - Aquilo tudo que ela tem é natural? - Perguntou intrigado, um tanto aborrecido consigo mesmo por não conseguir calar sua curiosidade.


            - Hã? Do que está falando?


            - Daquela beleza que você disse que trabalha para você e que deu uns tabefes em meu incauto irmão! As mamas  e o bumbum parecem comprados... De silicone... E a cintura parece ter sido lipo aspirada ao extremo!


            - Ah! Está falando da  Yara? É tudo dela, sim. Tudo natural. É o bumbum mais perfeito que já vi... Redondinho... Empinadinho... Você viu que perfeição?


            - Como sabe que são naturais? Andou passeando por ali? - Luciano parecia desconfiado.


            - Ei! Claro que não! Não seja tão insolente!  Sabe que fiquei viúvo há pouquíssimo tempo e sabe o quanto amava minha mulher. Acha que eu faria uma coisa dessas com uma de minhas funcionárias?







                                                                                  
            Luciano Schineider olhou para seu advogado durante um longo tempo como se quisesse enxergar-lhe a alma  e Duarte manteve o olhar firme. Por fim o outro sorriu.


            - Amava mesmo sua mulher, não?


            - Sim... eu amava. E não sei como estou conseguindo sobreviver a morte dela. Por isso, tenho trabalhado dobrado, para não me entregar ao desespero. E Marinalva conhecia Yara. Eram amigas. E minha filha está sempre em contato com a irmã dela. Por isso eu sei o quanto Yara se esforça para que a irmã se saia bem. E por isso falei que talvez ela possa lhe ajudar com relação a Nicholas.


            Luciano entendeu que Duarte nada tinha a ver com a garota que o intrigava. Mas não ia atrás da morena a fim de pedir ajuda. Afinal, ela encestara seu irmão. E Amanda jamais iria entender o que ele fazia com aquela mulher. Durante o tempo em que permanecera na delegacia, Amanda já ligara quatro vezes. Como ele ia ter tempo para se dedicar a algum assunto que não estivesse ligado as empresas?


            Duarte ficou um pouco pensativo. Quando Yara pedira demissão do Grupo Lumiar, onde ele era o chefe do departamento jurídico, sabia por que ela tomara aquela decisão. Estava grávida de um filho de Luciano e não queria permanecer na empresa para não causar nenhum problema para seu patrão.  Assim, o advogado lhe oferecera uma colocação no escritório que mantinha fora da empresa. Conhecia o trabalho da moça e lhe tinha uma alta consideração. Aliás, fora ele quem lhe oferecera o emprego no Grupo Lumiar quando ela terminara seu curso de Direito Empresarial. Conhecera seus pais e fora ele quem administrara a herança da moça até que ela pudesse cuidar do pouco que seu pai lhe deixara. Ia precisar de um emprego para cuidar de si e da irmã, que na época do acidente dos pais só tinha nove anos.  A garota não tinha culpa por ter-se apaixonado pelo patrão. E, embora tenha se aproveitado de um momento de fraqueza de Luciano, ela não estava disposta a destruir o casamento dele.

            - Com sua licença... Vou falar com a doutora Yara e depois seguirei para a empresa. - Duarte falou num tom enérgico que Luciano, a contra gosto, sentiu como se estivesse sendo dispensado. Sabia que deveria pegar seu irmão e ir para casa. qual casa?


            - O destino está lhe dando uma oportunidade e tanto! - Duarte falou assim que se aproximou da moça que já se preparava para entrar em seu carro.


            Ela o olhou pensativa e depois olhou para o homem que, zangado, também se dirigia para seu carro sendo acompanhado pelo irmão gigante.


            - Não posso falar com ele sobre algo do qual ele nem desconfia...


            - Sabe que ele tem o direito de saber que tem um filho...


            - Um filho do qual ele não tem a menor noção que existe.


            - E se acontecer o pior? Sei que esteve hoje no hospital e sei que em breve você vai precisar de ajuda. Se minha Marinalva ainda fosse viva...


            Yara olhou com ar de desolação para o advogado. Eram cruéis aquelas palavras. Entretanto, sabia que o pior era uma terrível possibilidade. O que aconteceria com seu filho e com seu irmão se ela não conseguisse vencer aquela batalha?


            Muda e triste, Yara van der Vaart entrou em seu carro e ligou o ar condicionado. Com as janelas de vidro escuro levantadas, pode olhar durante um bom tempo para o homem a quem amava em segredo e de quem tinha um filho, que, com exceção de seu patrão, o doutor Duarte, ninguém mais sabia quem era o pai daquela criança.


            Conhecia a fama de durão de Luciano Schneider e sabia que ele jamais levantava seus olhos azuis para mulher alguma além da sua. E, se um dia ele a olhara de uma forma diferente, esquecera-se tão completamente que nem desconfiava que tivera um filho fora daquele casamento bizarro.


            Mas não reclamava da sorte. Tinha algo dele. Algo que ele desconhecia mas que a fazia imensamente feliz. Só torcia para não ter que chegar diante do pai de seu filho e ter que dizer que ambos haviam tido um filho quando ela sabia que ele não se lembrava de absolutamente nada.                                                


            Luciano Schneider era a imagem do bom humor. Quase nada o tirava do sério, exceto, claro, sua esposa Amanda.  Rica e autoritária, sua mulher adorava fazer de sua vida um verdadeiro inferno. Entretanto, Luciano se lixava, na maior parte das vezes, para as ameaças, perseguições e tantas outras formas de intimidação que Amanda usava contra ele.  Nem mesmo quando tomara conhecimento que sua mulher colocara um detetive particular em sua cola, ele ficara mal humorado.


            Seus amigos e sócios, Arnaldo Glier e Michelângelo Montenegro juravam que, se estivessem em seu lugar, já teriam mandado a bela morena para o quinto dos infernos. Mas nada, ou quase nada, conseguia tirar dos lábios de Luciano, aquele eterno sorriso um tanto cínico.


            - Ora, rapazes. Casei-me com ela em busca de um futuro melhor, não? E eu não tenho a vida com a qual sempre sonhei? De que outra maneira eu moraria na Barra, num apartamento triplex, teria carro importado e vestiria as melhores roupas que só os endinheirados podem comprar?


            - Você fala como se tivesse se vendido! - Arnaldo dissera naquela manhã. - É muito ganancioso! Um dia vai sofrer muito quando cair na real.


            - Você fala assim por que nasceu em berço de ouro. Se tivesse passado fome como passei, se tivesse medo de não ter onde morar no dia seguinte, não pensaria assim. Tive a oportunidade de conhecer uma rica mulher que se apaixonou por mim. Ia perder essa oportunidade? - Disse cinicamente.


            - Você parece um gigolô! - Arnaldo falou irritado.


            - Não me importo com a opinião alheia. Acha que me preocupo com isso quando estou dirigindo meu carro e vejo milhares de pessoas andando a pé? Acha que num restaurante eu preferiria servir a ser servido? Acha que eu deveria estar construindo prédios de luxo em vez de poder possuir vários deles?


            - Ah! Não dá para conversar com você! A ambição tomou conta do seu coração, se é que tem um!


            - Vamos parar com essa lenga lenga que não vai nos levar a lugar algum e vamos tratar de assuntos mais importantes. - Michel resolveu acabar com aquela conversa chata. - Mas antes de chamar os outros executivos para a nossa reunião, estou curioso demais com uma conversa que ouvi pelos corredores... O que aconteceu com seu irmão? É verdade que tentou mesmo assaltar uma moça e apanhou dela feito um cão danado?


    Gostou do que leu até aqui e quer saber como termina esse romance? Acesse  um dos link abaixo


            
           De quem é esse bebê 2 




Esse menino foi considerado, em uma perquisa, como o bebê mais lindo do mundo



Um comentário:

  1. ai que lindo seu livro adorei muito por que tambem minha familia tem todos olhos azus so que nao é menino é uma menininha a amanda e meu esposo é negro mas é françes e eu sou brasileira mas descendente de alemao mas sou negra ai que legal vc é muito criativa esse é o sexto livro que eu leio seu e adorei todos mas esse em especial muito obrigada pra mim esse livro é pra mim rsrsrsrs beijos melanie

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