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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Romances no Rio 2 - Esse Seu Olhar


jake-gyllenhaal
Marcelo Ranieri é considerado um dos homens mais ricos da América Latina. Mas tem o pior gênio do mundo e nenhuma secretária que se preze aceita trabalhar para
ele. Cibele, uma divorciada, mãe de uma menininha pequena aceita o desafio. E vai se apaixonar perdidamente por aquele monstro com voz de trovão.


                        Capítulo 1

    Cibele D'Ângelo estava em cima da hora de seu único compromisso para aquele dia. Demorara a se vestir, pois experimentara muitas roupas.
Queria mostrar-se perfeita.
    Por isso, agora apertava o passo arrependida por estar usando saltos tão altos.
Devia ter trazido um par de sapatos mais confortáveis, os quais ela poderia trocar enquanto ia da Central do Brasil ao Castelo a pé.
Era um pouco distante para aqueles sapatos altos e que lhe machucavam os pés. Se tivesse
pensado um pouco melhor...
    Lembrou-se de pedir a Luciene que pegasse sua filha na creche, caso se atrasasse muito, pois sua mãe não ia poder fazer isso naquele dia.
Havia uma vizinha, Ceição, que sempre levava e buscava Cristina, sua filhinha,
todos os dia, já que trabalhava lá. Porém, justamente naquele dia, Ceição iria ao médico e faltaria ao trabalho na creche.
    - Que droga! Não consigo nem encontrar meu celular nessa bagunça! - Praguejara em voz baixa, enquanto tentava não diminuir o ritmo de seus passos apressados
por estar com a atenção voltadas para sua bolsa, já revirada.
    De repente, tomara um encontrão tão forte, que um de seus joelhos foi ao chão.
    Na tentativa de não cair de vez e ao mesmo tempo, esforçando-se para levantar, quebrou um dos saltos do sapato.
    - Droga! Que droga! - Sentiu as lágrimas chegarem.
    Uma mão foi estendida para ela, no exato momento em que, sentindo-se vencida pelo destino, ia deixar-se ficar ali, esparramada no chão e chorando até que suas
lágrimas secassem.
    A visão daquela mão estendida fez com que ela se lembrasse de quem era, que nada a impediria de correr atrás de seus sonhos, por mais insignificantes que eles
pudessem parecer aos demais mortais.
    Levantou-se por conta própria, ignorando a mão que lhe fora estendida, mas, na raiva, perdera o equilíbrio totalmente e acabou caindo sentada no chão. Agora
estava realmente furiosa! E, novamente tentava ignorar aquela mão que mais uma vez se apresentava a sua frente disposta a ajudá-la, levantou-se de um pulo e se desequilibrou
outra vez por causa do salto quebrado.
    Dessa vez ele a segurou abraçando-a para que ela não se estatelasse na calçada. Ela sentiu a força daqueles braços fortes em volta de seu corpo e a proximidade
daquele homem lindo a desconcertou. As lágrimas rolavam pelo seu rosto e, envergonhada e aborrecida, enterrou o rosto no peito do rapaz e chorou desconsoladamente
nos braços dele.
    Ele, completamente sem saber o que fazer, apertou-a ainda mais em seus braços. O perfume dos cabelos dela lhe causava uma sensação de leveza e ternura. Sem saber
porque, se emocionara com a garota. O corpo dela ali, lhe pedindo proteção, despertara nele sentimentos há muito adormecidos, e que ele nem imaginava que ainda os
tinha.
    E, no instante seguinte, ela se afastou bruscamente, encarou-o por alguns segundos e começou a gritar com ele feito uma louca, desconcertando-o ainda mais. Meio
sem compreender o que ela falava, se perdeu por alguns segundos a admirar-lhe os lábios carnudos e sensuais.
Ela era linda! A beleza dela o acordara para a vida. Porém, não se dava conta do fascínio que ela exercia sobre ele. Pelo menos, não com tanta clareza. Só então
notou que ela estava totalmente descontrolada.
    Grosso! Cavalo! Estúpido! - Ela vociferava a altos brados chamando a atenção de quem
passava por ali.
    Viu que um grupo de homens de terno se aproximava deles e fez um imperceptível sinal
com a cabeça para que eles permanecessem distantes, o que foi prontamente obedecido. Afinal,
ele era o chefe e os rapazes, embora grandes e fortes, eram apenas seus guarda-costas.
    No entanto, olhou ao redor um tanto apreensivo. E se houvesse jornalistas perseguindo-o? Dariam
para aquele ridículo  contratempo uma dimensão catastrófica. Qualquer bobagenzinha  se transformava em algo gigantesco
nas mãos daquele tipo de profissionais inescrupulosos. O mais importante era ter uma notícia bombástica
para vender jornais e revistas. Mesmo que a notícia em questão nada tivesse de extraordinária, eles conseguiam dar
a elas, um ar de importância tão  vital e tão urgente que até parecia que sem aquela
informação a humanidade se extinguiria.
    - O senhor não olha por onde anda, seu estúpido? - Falou o mais rispidamente que podia. Depois o olhou com tanto ódio que ele queimaria vivo ali mesmo se ela
não resolvesse desviar o olhar. Ele largou-a na hora e por pouco, ela não caiu outra vez.
   - A senhora não presta a atenção por onde anda, não? - Resolveu usar o mesmo tom agressivo que ela usara. Porém, estava ainda confuso. Sentia-se como se tivesse
sido expulso do paraíso num único segundo
    - Seu idiota! - Gritou ela. - Como vou fazer agora? Eu tinha um compromisso... Você quebrou o meu salto... Sujou meu vestido... – Ela estava tão alterada que
os transeuntes já davam uma paradinha, curiosos com aquela discussão.
    - Eu? Eu quebrei o seu salto? Está louca?
    - Quebrou mesmo. Como vou comparecer ao meu compromisso com a minha  roupa suja?
    - E quem seria louco de marcar um compromisso com uma doida como a senhora?
    - Seu... Seu... Idiota! Imbecil! Palhaço! Cretino! - Ela perdera o controle.
    Ele ficara possesso. Pessoas parando para ver aquilo? Seus guarda-costas já estavam
inquietos e apreensivos. E se alguém aproveitasse a confusão para sequestrá-lo?
    - Quer saber? Fique aí com esse seu mal humor, sua desaforada! Tenho mais o que fazer! - Ele estava vermelho e uma veia pulsava na sua fronte.
    - Tem o que fazer! E eu? Você acha que não tenho mais nada a fazer na vida? Acha que meu passatempo preferido é ser derrubada por gorilas no meio da rua?
    Ele ia protestar, mas engoliu em seco. Estava chamando a atenção mais do que devia. Roxo de raiva, virou-lhe as costas e foi embora, praguejando.
    Ela estava com muita raiva. Aquele homem idiota acabara com o seu dia. Como poderia ir até o lugar onde a esperavam daquele jeito? Estava com a saia suja e um
salto quebrado. Tinha que voltar para casa. Como poderia comparecer ao seu primeiro dia de trabalho daquela maneira?
E como voltar para casa e retornar ao local onde era esperada se já estava atrasada? Sem
contar que morava há quilômetros dali.
    E onde estava o seu celular agora? Remexia outra vez em sua bolsa, enquanto mancava pelas ruas.
    Marcelo Ranieri entrou em seu luxuosíssimo escritório no Centro do Rio de Janeiro, bufando de raiva. Sentou-se numa poltrona e chamou pela secretária.
    - Sua secretária ainda não chegou, Doutor Ranieri. Quer que eu o ajude em alguma coisa? - Perguntou Olívia, a simpática moça
que, além de ser uma espécie de faz tudo,  trabalhava no RH e era responsável
por treinar alguns funcionários novos naquele andar do prédio da empresa e também pela parte de pagamento dos mesmos. Inundara o recinto com sua fragrância. Marcelo
Ranieri aspirou mais aborrecido ainda
aquele perfume. Quantas vezes já não estivera a ponto de convidá-la para sair com ele? Mas temia Maria Eugênia. Então, por sorte, ou azar, sempre desistia. O tempo
passara e acabou por esquecer aquele desejo que um dia lhe passara pela mente. No entanto, sempre que o perfume de Olívia invadia a sua sala, lembrava-se que era
um homem.
    "Um homem? Não! Não sou um homem!" Dizia para si mesmo trincando os dentes com muita raiva contida. “Não sou um homem de verdade!"
    - A secretária atrasou-se no seu primeiro dia de trabalho? - Perguntou ele entre incrédulo e amuado. Ainda estava aborrecido por causa da mulher insuportável
que o interpelara na rua. Aquela desmiolada acabara com o bom humor com que acordara, coisa rara atualmente, pois Marcelo estava sempre aborrecido, mal humorado
e tornara-se excessivamente taciturno. Não sabia mais sorrir. Sua vida transformara-se num inferno terrível nos últimos quatro anos. O seu bom humor se devia ao
fato que acabara de tomar uma decisão em sua vida. Acabaria com tudo. Não queria mais viver. E, naquele dia estava feliz por que tomara essa decisão. Não ia mais
precisar de secretária nenhuma. Já tivera tantas que nem lhes lembrava nome ou fisionomia. E
as idiotas de suas secretárias eram incapazes de fazer um trabalho minimamente aceitável. Eram
todas incompetentes que não prestavam para nada! E, no entanto, fora a decisão de dar cabo da
própria vida que acabara levando-o a dar um passeio pelas ruas, um pouco distante de seus
seguranças. A simples idéia de acabar com tudo o deixara satisfeito!
    - Ela teve um contratempo e...
    - Para o inferno com mais essa. - Praguejou. - Mande-a embora assim que  chegar. Francamente, Olívia, é a primeira vez que me indica uma irresponsável. Aliás,
não. Todas são umas irresponsáveis que não sabem fazer nada direito. Dispense essa preguiçosa assim que chegar. Onde já se viu atrasar-se no Primeiro...
    - Desculpe-me doutor Ranieri, mas ninguém quer trabalhar para o senhor. Foi a única que teve coragem de chegar até aqui e eu não posso acumular duas funções.
Nem que o senhor triplicasse o meu salário. Nem mesmo se o quintuplicasse!
    Olívia não o temia como as outras moças que iam trabalhar lá. Mas não gostava dele. Era um grosso estúpido sem a menor consideração pelos seus funcionários.
Provavelmente, se ela fosse secretária dele, também já teria dado o fora, Por sorte, não o era. Porém, todas as vezes que uma garota o abandonava, horrorizada com
suas grosserias e mau-humor, ela acabava ajudando-o e aí era o seu humor que ficava estragado o resto do dia. Ele sempre a contagiava negativamente. Tão diferente
do outro sócio, que ria de qualquer besteira. Como um ser humano podia ser tão desagradável
como Marcelo Ranieri? A beleza, o charme, a sensualidade com que fora premiado pela natureza
de nada serviam quando uma mulher, que pouco momentos antes de trabalhar para ele, se sentia
levada por devaneios libidinosos, em poucos segundos queria estrangulá-lo! Qie capacidade
tinha aquele homem de despertar os mais sádicos e homicidas instintos femininos? Por que,
em menos de três horas com ele em sua sala, as secretárias saíam chorando, desejando que ele
caísse morto, congelasse e se partisse ao meio ou fosse atingido por um raio?
    Eram essas pérolas que a tranquila e atenciosa Olívia pensava enquanto o encarava,
esperando que ele compreendesse que, naquele momento, nem por todo o dinheiro do mundo, uma
secretária que prezasse a própria sanidade, queria a maior distância do escritório dele.
Preferiam cozinhar para o capeta no inferno, mas não queriam nem ao menos pensar em ser
entrevistada para aquele penoso e difícil cargo.
    Ele a observou por uns segundos. Sabia que Olívia tinha razão. Ele sempre soube que precisava melhorar aquela impaciência, aquela intolerância, aquele tom grosseiro
para com as garotas que trabalhavam com ele. Mas o que podia fazer se eram todas incompetentes? Faziam tantas bobagens que ele logo perdia a compostura.
    Nem acabara de ordenar seus pensamentos e alguém alvoroçado chegou na recepção pedindo desculpas. Quem poderia ser? A moça do café assustada com alguma coisa?
    - Oh! É a sua nova secretária... - Disse Olívia reprimindo o riso. A moça que se apresentava ali estava com a saia suja e com os sapatos com os saltos arrancados.
Como poderia trabalhar ali, onde pessoas com muita grana circulavam o dia inteiro? Mesmo assim, chamou-a para entrar na sala de Marcelo Ranieri.
    - Você?! - Exclamaram os dois ao mesmo tempo. Tinham acabado de bater boca na rua e agora estavam ali, frente a frente. E aquela mulher maluca seria a sua secretária!
Mas não seria mesmo!
    - Ah, não é Possível! - Gritou ele com muita raiva. Era um homem muito alto e isso, aliado ao tom de voz, deixaram Cibele apavorada.
    - Não é possível! - Falou Cibele ao mesmo tempo. - Sua voz era quase inaudível. Fora muita falta de sorte xingar, justamente o seu futuro patrão.
    - Pague a ela por esse dia de serviço e a mande passear. Essa mulher é louca! Não a quero aqui... - Ele quase espumava o canto da boca. Era ódio puro. Tomara
pavor daquelazinha mal educada!
    - Por favor, me perdoe. Preciso desse emprego. - Implorou Cibele.
    - Ah, não! Desculpe-me, doutor Ranieri, não há outra candidata. Não vou mandá-la embora de jeito nenhum, nem que me mate! - Olívia o peitara sem medo. Na verdade,
sempre fizera isso. Não entendia porque as moças que iam trabalhar ali ficavam tão apavoradas com as grosserias dele. Ele gritava, berrava, e ele acabava acatando
as decisões dela. E aquela moça só iria embora dali se ela própria não quisesse ficar.
    - Essa mulher me ofendeu terrivelmente na rua!  - Berrava ele, expulsando todos de sua sala e saindo junto com elas para a sala da recepção.
    - É mesmo? - Perguntou Olívia interessada. Aquela mulher frágil e magricela o ofendera? -
Que interessante!
    Marcelo a fuzilou com seus olhos qie cuapiam labaredas de fogo. Olívia porém, estava
encantada demais com a recém chegada para se preocupar com as labaredas dardejantes de seu
patrão.
    - O senhor me derrubou... - Murmurou timidamente. Contudo, seu queixo se mantinha erguido
num inconsciente sinal de desafio. E aquilo deixou Olícia maravilhada.
    - Você não olhava para onde ia... Sua... Sua... - Calou-se de repente ao olhar para Olívia. Sabia que esta não se intimidava com sua estupidez e grosseria.
    - Eu estava apressada vindo para cá, não queria atrasar-me... E o senhor estragou o meu primeiro dia de trabalho. Olhe como estou! Gastei meu último centavo
comprando uma roupa boa para meu primeiro dia e o senhor estragou tudo. - Começou a chorar, sabendo que não devia demonstrar fraqueza diante de seu chefe, mas não
aguentou mais. Já não podia extravasar de outra forma. Xingando-o, por exemplo, como fizera há pouco, na rua. Era a segunda vez que o encontrava e era a
segunda vez que chorava diante dele.
    Ele a olhou de cima a baixo. Era muito bonita. Já o percebera na rua, quando a vira no chão e quando ela conseguira se levantar, tentando se equilibrar orgulhosa
e atrevida, em cima do salto quebrado.
Lembrou-se de que a apertara em seus braços e que se sentira vivo, vibrante. E, que, se sentisse um verdadeiro homem, a beijaria ali na rua mesmo, enquanto ela o
ridicularizava no meio de todos. Era assim, com um beijo apaixonado que deveriam todos os homens calar as mulheres quando estavam zangadas. Pelo menos, era assim
que ele pensava antes de casar-se com Maria Eugênia. Antes de saber que não era um homem completo.
    E aquela bela mulher, de pele muito clara como pétalas de rosas macias e perfumadas, com aqueles cabelos negros que faziam um maravilhoso contraste com a sua
alva pele e os olhos violeta o deixavam perplexo. Fazia muito tempo que não olhava para uma mulher da forma como um homem deve olhá-la. Há tempos, não sentia interesse
por mulher nenhuma, não as desejava mais, não as admirava mais. Há tempos não tinha uma mulher em seus
braços, em sua cama. Para que? Não era um homem de verdade! Maria Eugênia
lhe gritara isso há exatamente dois anos. E gritara-lhe tais palavras, muitas vezes depois.
    - Você não é um homem de verdade! Falta-lhe muito para que seja um marido para mim. - Usara estas palavras e ele nunca mais as esquecera. Mesmo porque ela as
gritara em sua cara, muitas outras vezes depois.
    Apertou os lábios num claro sinal de ódio contido. Não era bom lembrar-se de sua esposa, embora suas palavras ecoassem em seu cérebro todos os segundos, das
horas, dos dias, das semanas, dos meses e as ouviria eternamente, sempre martelando em seu cérebro, até que ele morresse. E até já pensara nessa possibilidade. Acabar
com tudo. Não mais pensar. Não mais sofrer.
    Isso era doloroso demais. A lembranças de Maria Eugênia o irritava tanto que o que tivesse perto, ele precisava jogar longe. Em sua sala era comum que ele, volta
e meia atirasse algo na parede ou no chão. Arrependia-se logo em seguida por proceder como um garoto mimado e pirracento e isso lhe causava mais irritação ainda.
Nesses momentos, pobre de quem lhe perguntasse qualquer coisa. Berrava num tom tão alto e forte, que bem mais adiante de seu escritório, o comentário era: O todo
poderoso está tendo um ataque de pirraça; Ouçam a voz de trovão; cuidado
que está chegando a tempestade; as pedras vão rolar e coisinhas assim. Na verdade, a maioria dos funcionários detestavam aquele homem arrogante e temperamental.
    Ele sabia que era irascível, entretanto, não mais fazia nenhum esforço para se controlar. Resolvera deixar escapar todo o ódio que acumulava há muitos anos dentro
de si. Se não gostavam dele, que todos fossem se danar. Ele estava furioso com a sua vida, o seu destino. Ou dava vazão a sua ira, a sua fúria, ou acabaria matando
alguém ou se matando. E, para seu total desespero, aquela idéia de acabar com tudo estava
tomando conta dele cada dia mais. Agora, já não lhe bastava extravasar o ódio que mantivera
por tanto tempo sufocado. O desejo de se entregar estava dominando a sua desastrosa vida. Para
que continuar lutando? Já nem savia contra o que lutava.
    - Maldição! Inferno! - Gritava essas e outras palavras não muito amáveis, sozinho ou acompanhado, em sua sala ou em qualquer lugar da empresa, todas as vezes
que se lembrava daquela mulher diabólica com quem se casara.
     E, sem saber porque, aquela moça, parada a sua frente, faziam-no esquecer por uns momentos, as palavras de Maria Eugênia. Era um ... um... um copo dágua no
deserto. E isso era uma luz no fim do túnel, algo em que se agarrar. Agarrar? O que estava lhe acontecendo, afinal?
    - Pare de chorar! Não sei por que as mulheres gostam tanto de verter tantas lágrimas! Choram
por qualquer coisinha! Não vai conseguir me comover não!
    O que ela pensava? Que lágrimas fingidas fariam com que ele voltasse atrás?
    Ela o observou por alguns instantes. Ele viu a raiva nos olhos dela.
    - Não posso ter em minha empresa uma pessoa que me diz um monte de desaforos! A senhora
foi hostil e indelicada! Na verdade, a senhora bancou a maluca!
    - O que o senhor queria? Demoro uma vida para encontrar um emprego e quando me dirijo para
ele o senhor me derruba no chão, quebra o salto do meu sapato, suja toda a minha roupa...
    - Eu fiz isso? Sua doida, você não olhava para onde ia!
    - E o senhor olhava? Se olhava por que não se desviou de mim?
    Ele ficou em silêncio. Ela tinha razão. Estava distraído. Olhou para Olívia que fez um
gesto com as mãos de que não tinha nada a ver com aquilo. Era apenas uma observadora passiva.
    Cibele, com os olhos cheios de lágrimas, olhou-o detalhadamente. Era o homem mais
impressionantemente lindo que já vira, mesmo com os dentrs trincados de raiva. Embora vermelho
por causa da discussão, dava para ver a tez morena, os cabelos escuros e aqueles olhos
castanhos e tristes, emoldurados por longas pestanas negras, o que deveria ser o suficiente
para arrasar qualquer coração desavisado. Era alto e musculoso. E, como ele estava meio
inclinado, com as mãos sobre a mesa de Olívia, ela via os músculos daquelas pernas
maravilhosas apertadas contra o tecido da calça. Sentiu um calor percorrer-lhe todo o corpo e subir-lhe até o rosto. Estava
pensando que queria estar sentada em cima daquela mesa, em frente a ele, e vê-lo curvado sobre
ela, exatamente do jeitinho em que ele se encontrava naquele instante. Percebeu que ele estava
excitado. Perceber aquilo fez com que esquecesse aquela conversa enfadonha. Era culpada.
Admitiria. Admitiria qualquer coisa. Por que ele estava excitado? Era por causa dela? Era por
causa da discussão?
    "Aí eu o puxaria e ofereceria minha boca para que ele a invadisse com essa língua que,
com toda a certeza, deve ser terrivelmente indecente e..." - Acordou do devaneio. Estava no meio de uma briga.
Pior! Estava brigando com um homem que poderia mandá-la embora, antes mesmo de iniciar seu
primeiro dia de trabalho. Seu sapato perdera o salto e sua saia tinha uma horrorosa mancha no
traseiro. O que podia ser pior? Como poderia pensar em seduzir o homem que queria matá-la
apenas com o olhar? Realmente deveria  estar pirando! Aquela abstinência sexual estava levando-a a loucura.
Como poderia pensar em sexo num momento como aquele? Ela tinha uma filha para criar! E tinha
um marido! Era certo que a abandonara, mas ainda assim era o seu marido!
    "Mas o que fazer? O homem é um convite ao pecado!" Precisava se livrar daqueles
pensamentos. Ela nem era assim, uma oferecida! Pensando bem, não se oferecera. Só pensara
algumas coisinhas... Pensar não era pecado! Ninguém sabia o que estava pensando!
    Marcelo sabia que estava excitado e se deliciava com aquela constatação. Há quanto tempo
não sentia aquela deliciosa sensação? Como podia pensar em morrer se seu corpo estava clamando
por vida? Como chegara a se acovardar de tal maneira?
    Sentia o cheiro daquela mulher. Podia até imaginar o que tinha por baixo daquelas roupas.
Era muito bom estar vivo!
    Ainda estava meio aturdido com o que lhe acontecera. Na rua, quando aquela mulher
tropeçara nele e ele a segurara para que não fosse ao chão, seu corpo reagira. Estava vivo!
Agora... Ele certamente não esperava por aquilo. Mas era bom demais sentir-se bem, sentir-se
cheio de vida.
    "Queria ela aqui na mesa. Ia morder aquela boca carnuda! Ia beijá-la até que ela
implorasse que eu parasse. Depois, ia amá-la. Aqui mesmo, em cima dessa mesa e... O que estou
pensando? Estou ficando maluco? Sou um homem casado! Infelizmente! Mas sou!"
    Por fim, ele, completamente irritado, foi para a sua sala, bateu a porta e ficou
trancado lá, profundamente aborrecido por não mandar a moça embora.  Não! Na verdade, estava terrivelmente irritado porque queria que ela ficasse.



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                    Romances no Rio 2 - Esse seu olhar - romantico e sensual

     

                 
         

2 comentários:

  1. Querida Clarice, espero sinceramente que leia essa pequena e sincera mensagem. Hoje dia 02/06/2012 ás 22:31 acabei de ler um livro seu. \"Esse seu olhar\" dos lindos Marcelo e Cibele. Ah, historia apaixonante viu? Imagine, que uma baiana do interior, baixou os seus livros e está lendo a coleção Romance no RIO. E devo ser sincera o pouco que eu li de \"O amor está no ar\" e o que já finalizei \"Esse seu olhar\". Provam que são muito bem escrito, é até difícil acreditar que no Brasil tenha uma escritora tão espetacular, que escreva romances tão parecidos com os das minhas autoras favoritas. E devo admitir, que fiquei muito surpresa quando ao final do livro li sua nota e pude notar que realmente se tratava de uma autora brasileira... Tenha fé em Deus, que tudo tem seu momento certo e infelizmente não tenho nenhum tipo de blog, site ou coisa parecida para te ajudar a divulgar seus livros... Desde de muito nova leio romances bianca, julia e das minhas autoras favoritas como: Diana Palmer, Deborah Simomns, Nora Robert, Anne Mather e outras milhares. Não tenho nem mesmo amigas para compartilhar seus livros, por que infelizmente só poucas as pessoas no Brasil que dão valor aos livros, romances então, nem se fala. Mas fiquei realmente feliz em saber que você existe e sendo mais sincera ainda você me encheu de vontade de terminar o meu. Sabe Clarice, amo ler e escrever... Já perdi a contas de livros que já li. Algumas pessoas acham anormal, afinal as vezes troco amigos e até festa para ler clássicos. Passei ano novo no quarto, terminando meu favorito e lindo romance de Jane Austin - Orgulho e Preconceito. Mas realmente sinto uma fome de leitura, como tenho apenas 18 ano, tenho meu trabalho e a noite vou a casa do meu pai (DEUS) só me resta alguns dias de folga para saborear um bom livro. Meu livro é tão bestinha, bem minha cara, \"adolescente\". De qualquer forma já estou falando muito. Obrigada, por reacender essa vontade de escrever. Se cuida viu? Grande abraço. Bruna

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  2. Descobri seu livros a pouco mais de 15 dias,e os adorei, sou muito romântica, mas confesso que as tristezas da vida me deixaram bem amarga, mas já li vários de seus livros e gostei muito, continue por favor...

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