quarta-feira, 13 de julho de 2011

Romances no Rio 6 - Um Pequeno Erro de Julgamento


 Hugh Jackman
Leonardo Keller resolveu ajudar um amigo que estava sem professor de matemática em sua escola. Para ajudá-lo, Leon Keller vai lecionar no colégio por mais ou menos
um mês, até que o diretor consiga contratar um bom substituto para a vaga ali existente. Nesta escola, Leon vai conhecer Jessamina, uma professora de História,
que  se considera a mulher mais feia e sem graça do planeta. É claro que ela não vai acreditar que o maravilhoso Leon está interessado nela.

                 Capítulo 1

    Lucas Mancini entrou na sala dos professores, poucos instantes antes deles se encaminharem para suas respectivas turmas. Agora, ele era o diretor daquela unidade
de ensino, a qual fora erguida pelo esforço de
seu irmão mais velho, Felipe Mancini, o reitor da universidade, responsável pelo projeto vitorioso que fora a fundação do Colégio de Aplicação.
    Naquela segunda-feira, Lucas apresentava ,informalmente, ao corpo docente, o novo professor de Matemática e Física que o substituiria naquela função, já que
não conseguia dirigir a entidade e ao mesmo tempo, lecionar suas disciplinas.
    - Este é Leonardo Keller, o novo professor de Física e Matemática que irá me substituir provisoriamente. Vocês sabem que não posso continuar em sala de aula
e ainda tenho
as preocupações com Bete, minha esposa que está prestes a dar a luz.
    Todos sabiam que a esposa de Lucas Mancini estava tendo uma gravidez de risco por causa da idade. Ela era a mãe de Dayse, a esposa de Felipe Mancini, reitor
da universidade e irmão de Lucas.
    - Provisoriamente? - Alguém perguntou. Todos estavam sentados em volta de uma grande mesa oval, aguardando o horário de irem para suas respectivas salas. Lucas
e o novo professor continuavam em pé, aguardando que os demais parassem a conversa paralela para se aperceberem de que estavam
sendo notificados de algo.
    Lucas tinha conhecimento de que era bastante comum que os professores ficassem por ali, colocando o papo em dia, contando uns aos outros, o que haviam feito
na noite anterior, a quais shows tinham ido, em qual cinema, teatro ou shopping tinham se divertido. Assim, acabavam por trocar informações, saber quais peças tinham
agradado, quais valiam a pena assistir, quais dos filmes que tinha estreado era realmente bom, que banda ia tocar em tal lugar, em qual boate não se deveriam por
os pés por falta de segurança, em que restaurante o atendimento estava sendo de péssima qualidade, e, por aí afora. Esse era
o ritual de todas as manhãs e, por muitas vezes, era repetido nos horários em que tornavam a se encontrar, na hora do recreio, onde aproveitavam para marcarem encontros
para irem a algum lugar que tinha
agradado a outra pessoa.
    - Sim. ele é um grande  amigo e está-me fazendo um favor. Talvez só possa ficar aqui apenas por um tempo. Na verdade, preciso de duas semanas dele e isso acho
que terei. Há um novo professor para assumir um cargo nesse período. Eu não poderei ficar e Leon me atendeu prontamente. Ele é profissional em outra área. Tem seus
próprios negócios, os quais, na verdade, nada têm a ver com o nosso mundo direcionado a educação.Gostaria muito de poder convencê-lo a ficar, pois é o melhor professor
que conheço, embora não atue como tal. Mas já o vi a frente de uma turma de pré-vestibular e posso garantir que o cara é fera. Nem o aluno mais difícil, encontra
problemas de adaptação com ele. O cara é gênio! Podem acreditar no que digo! Ah! E seu nome é Leonardo, mas prefere ser chamado de Leon.
    Leon sentiuse inflar ao ouvir o elogio. Como lhe fazia bem ouvir tais palavras!
Adorava ser elogiado. Era um traço de sua personalidade que embora ele visse como algo
negativo, não conseguia livrar-se.
    Jesse achou que o nome tinha tudo a ver com o rapaz. Ele realmente tinha as feições que lembravam a um leão. Até seus cabelos castanhos lembravam uma juba!
Tinham a mesma cor dourada do pelo de um leão e eram quase do mesmo formato. Devia
ser leonino também. Todo leonino tinha algo daquele felino e era isso que Leon passava:
a imagem de um felino sensual e perigoso. Além disso, percebera o quanto ele gostara do
elogio que Lucas Mancini lhe fizera e de como os olhos do rapaz se iluminaram. E, por
pensar em olhos, o castanho dos olhos dele eram exatamente os de um leão. Inclusive o
jeito de olhar. Parecia o rei da floresta. Só que não estavam em uma floresta! Estavam na
sala dos professores!
    "Combinação letal!" Pensou ela sentindo um arrepio ultrapassar-lhe o corpo. Era um arrepio de pura luxúria, o qual ela expulsou com tenacidade e anotou num canto
da mente que deveria manter-se mais distante daquele homem do que dos demais.
    - Então, bem-vindo, Leon! - Alguns dos professores ali sentados, falaram, quase ao mesmo tempo.
    - Por que deu aulas num cursinho já que atua em uma área diferente?
- Elaine, a professora de Literatura, perguntou. Já sentira-se atraída por Leon assim que ele entrara. Por que não paquerar o rapaz um pouquinho? Pelo olhar quente
daquele homem, ele deveria fazer uma mulher pegar fogo na cama!
    - Adoro Matemática e adoro lecionar! Meus negócios me levaram em outra direção, mas meus amigos mais chegados sabem que sou vidrado em uma sala de aula.
Sempre que aparece uma oportunidade que não atrapalhe minha vida profissional, eu agarro com unhas e dentes. E foi assim que meu amigo Lucas me fisgou.
    - Assim é bem interessante! Você não vive desse trabalho extenuante que é lecionar. Atua, de vez em quando nesta área, por robe, por diversão. - Falou Julio
César, o professor de Química. - Duvido que
teria todo esse bom humor se fosse essa a sua profissão!
    - Que isso, JC? Educar é um ato político! - Falou Roberto, o professor de Educação física fingindo afetação.
    - Pode ser um ato político, mas o meu bolso sempre está vazio! - Respomdeu JC.
    - Qual o seu ramo de trabalho? - Perguntou Elaine medindo o recém chegado com olhos de predadora.
    - Tenho uma empresa de componentes eletrônicos e... É isso... - não queria dar muitos
detalhes sobre a sua vida.
    - Aqui no Rio de Janeiro? - Insistiu mais interessada ainda.
    - Tenho aqui um escritório comercial, mas uma das fábricas fica na Zona Franca.
    - Uma das fábricas? E onde ficam as outras? - Seu interesse crescia cada vez mais.
    - Espalhadas por aí... - Já se arrependera. Estava falando mais que o necessário. Não
fora ali para falar de suas empresas. Queria dar aulas. Era disso que gostava!
    - Por aí onde, professor? Seja mais específico! - Agora era Neusinha que falava.
    - Pelo mundo. - Ele estava sem jeito. - Mas estou aqui para ajudar um amigo.
    - Ora! Ora! Temos aqui um milionário! - Neusinha ficara tão excitada com a notícia que batia palmas.
    - E quem toma conta de seus negócios enquanto está aqui lecionando durante todas as manhãs? - Roberto queria saber.
    - Meu cunhado. Ele está gerenciando alguns negócios enquanto estou de férias.
    - Férias! Como férias?
    - Que falta de imaginação passar as férias dando aulas! – Esclamou Julio César. - Não tem medo de andar por aí ou tem guarda costas com você?
    - Meu carro é blindado e eu não sou muito conhecido por aqui. Passo a maior parte do tempo fora do Brasil.
    - Realmente gosta disso? De dar aulas? - Perguntou Neusinha assombrada.
    - Eu queria ser professor. Mas não pude. Estudei com Lucas aqui mesmo nessa
universidade. Lecionei durante uns anos, mas os negócios me obrigaram a abandonar. Agora,
só faço isso de vez em quando. Só para relacar.
    Alguns professores pareciam estarrecidos. Nenhum deles achavam a profissão relaxante,
por mais que gostassem dela.
    - Você deve ser um desses excêntricos, cansado da mesmice e a procura de emoções
fortes! Lecionar para adolescentes é o mesmo que lutar numa guerrilha, fazer
um safari onde é preciso  fugir de leões, mergulhar com tubarões ou num rio infestados de
crocodilos famintos ou cheio de piranhas igualmente esfomeadas... Onde já se viu? Espero
que sobreviva ao seu relaxamento! Argh!
    Riram muito! E todos levaram o assunto na brincadeira.
    E assim, Leon fora acolhido com carinho pela maioria das pessoas que se encontravam ali. Era um excêntrico rico, apenas isso! Estava brincando de dar aulas.
Cada louco com sua mania! O bom era que fora bem recebido.
Talvez, nem tanto! Fora bem recebido por quase todos, exceto por Jesse . Essa  nem ao menos sorrira para o rapaz.
    Jesse olhou para o recém chegado com antipatia e descaso. Voltou a concentrar-se no livro que tinha nas mãos. Chegara um pouco mais cedo para poder terminar
sua leitura tão excitante e o chato do diretor a interrompia para apresentar um novo chato. Um idiota milionário sem imaginação que gostava de lecionar! Que anta!
Que besta! Que animal! Que imbecil! Que mula! Que mala! Estava irada! Odiava idiotas que gostavam de aparecer! Ainda por cima,  professor de Física e matemática!
Se ao menos fosse alguém de sua área! Que importância poderia ter para ela, conhecer mais um arrogante professor ? Sim, por que todos os professores de matemática
ou Física que ela conhecera eram todos uns insuportáveis que se consideravam os mais brilhantes professores, além de se sentirem como as melhores pessoas do mundo.
"Uns egocentrados, isso sim!"
    Notara que o rapaz trazia sempre nos lábios um meio sorriso. Talvez estivesse
satisfeito com a vida. Não era para menos. Era um eico empresário que estava berincando de
ser professor. Podia brincar. Não devia ter contas a pagar. Bem. Com toda a certeza, as
contas que uma empresa deveria ter que pafar em nada se assemelhariam com as dela. Nesmo
assim, era indecente aquele sorriso permanente nos sensuais lábios de Leonardo Keller.
Devia ser proibido que ele sorrisse daqueloe modo. Aliás, devia ser proibido que homens
como ele circulassem livremente pelo mundo esbanjando charme e sensualidade, provocando as
mentes femininas a pensar em coisas luxuriosas e terrivelmente pecaminosas. Ele era puro
magnetismo sexual. Ele era o homem mais lindo que já vira. Ele era o perigo em forma de
ser humano para uma mente carente como a dela. Era certo que um homem daqueles jamais
olharia para uma mulher como ela. Então, do que tinha medo. Ele jamais a veria. Seria
completamente invisível para ele. Já não era invisível para os demais? O importante era
não olhar para ele! Nunca! Sempre deveria manter em mente que era feia, gorda e
desajeitada. Homens bonitos não olhavam para mulheres assim. E mulheres assim não poderiam
sequer sonhar com homens como ele. Seria uma afronta!
    Por sorte, o sinal tocou e a sala ficou vazia, após a falação de boas vindas e outras chatices que ela abominava no ser humano. Não via a hora de que todos saissem
dali e deixassem o ambiente calmo e tranquilo como deveria ser. Felizmente, todos sairam e o recém chegado acompanhara o diretor para ser apresentado às turmas para
as quais passaria a lecionar. Então ela respirou aliviada e voltou sua atenção para se  concentrar no que lhe interessava: seu livro!
    No entanto, apenas meia hora mais tarde, quando sentia que mal abrira as páginas, percebeu que o tal professor que acabara de ser apresentado, já estava de volta
a sala  olhando para ela, fazendo com que se atrapalhasse, não conseguindo prestar atenção no que estava querendo ler. Mas ficara quieta, rezando para que o estranho
saísse dali.
    "Por que esse imbecil fica me olhando! Que idiota!" Pensou com vontade de atirar-lhe o livro na cara. Não o faria, porém. Era um bom livro e ela ainda não chegara
ao fim da história.
    Contudo, ela notara, quando Lucas Mancini o apresentara, que o tal Leonardo Keller era um belíssimo espécime do sexo masculino, co, u, belo par de olhos castanhos
de um felino, cabelos que mais se assemelhavam a uma esplêndida juba, alto, sensual,  musculoso e perfeito. Realmente perfeito e desesperadamente atraente! Um homem
e tanto! Ou seja, alguém para quem ela jamais deveria olhar, pois alguém como ele, nunca, nem em um milhão de anos, olharia para uma mulher como  ela, em hipótese
alguma.
    Já passara dos trinta. Aliás, se encaminhava para os trinta e três. Era uma solitária! Completamente fora de forma. Gorda, feia, totalmente sem graça. Muito
grande, desproporcional, horrorosa!
    "Eu me odeio!"
    Para completar o quadro, a sua frente, Jesse tinha um embrulho aberto, onde podia se ver uma bomba de chocolate, um rocambole recheado com doce de leite e um
monte de balas. Enquanto lia, comia suas
guloseimas, o que contribuía para as suas arrendondadas formas, que aliás, nem eram tão arredondadas como ela pensava.
    Na verdade, Jesse nascera até com bastante sorte, embora não a reconhecesse. Tinha um metro e setenta e cinco e não era gorda, como pensava. Realmente, não era
magra, porém, se negava a fazer qualquer tipo de exercício físico ou qualquer coisa que pudesse compensar o seu vício por doces. E, mesmo assim, consumia uma quantidade
excessiva de calorias e seu corpo permanecia em forma. Ela não se percebia em forma. Tinha o pior conceito sobre si mesma. Além disso, achava seu rosto feio
e inespressivo. Não conseguia notar sua beleza exótica de olhos verdes e brilhantes, uma barriga reta como uma parede, grandes seios, e lábios cheios e sensuais.
Seus cabelos castanhos e cacheados, que se
negavam a ficar presos num coque, saltavam-lhe em mechas pelo rosto, dando a ela a aparência de uma cigana rebelde e sensual, que, atraiu a atenção de Leon Keller,
no primeiro instante que entrara naquela sala, muito antes que Lucas Mancini o apresentasse, muito antes que ela mesma tivesse levantado os olhos para perceber sua
presença.
    Não! Pensando bem, ela lhe parecia uma sereia. Uma sereia de fartos e formosos seios.
    - Qual a matéria que você leciona? - Ele interrogou animado.
    "O chato veio puxar conversa comigo. Mando-o pro inferno de cara ou espero que ele vá por conta própria?"
    - História e geografia. - Foi a resposta azeda que o fez levantar as sobrancelhas e detectar que ela não lhe seria simpática.
    - As duas disciplinas? - Ele se mostrara sinceramente curioso. – Por que as duas matérias?
    "Por que você não vai para o inferno?" Ela quis dizer.
    O leve sorriso que teimava em brincar nos lábios dele a exasperava.
"O que aquele homem perfeito queria conversando com ela?
    - Sempre fui a professora de História. - Ela encarou seu rocanbole como se estivesse conversando com ele. - Há mais ou menos um mês, Dayse, a professora de Geografia
demitiu-se do Ensino Médio. Ela agora precisa cuidar de seu bebê  e seu marido, Felipe Mancini, que por acaso é o reitor da universidade e irmão de Lucas, o nosso
diretor, pediu-me que a substituísse. A mãe dela, a esposa de Lucas também está grávida, quase no dia de ter o bebê, para o alívio
dele, já que não está muito bem e Dayse passa algum tempo com Bete, sua mãe. Arrependeu-se por falar
demais. Não era para falar tanto assim com aquele presunçoo professor de Matemática e
física que se achava o mácimo e o olhou com um queixo empinado e desafiante. -  Quer saber o número do meu CPF também?  - Perguntou sarcástica.
    Ele se assustou com a agressividade dela. Em alerta, colocou as mãos nos bolsos da calça jeans. Ainda meio sem jeito, ficou em dúvida se sentava ou não a grande
mesa na sala dos professores, que era usada
tanto para o estudo como para fazerem um lanche. Resolveu continuar de pé e começou a caminhar lentamente para tentar vencer a hostilidade gratuita da moça que nem
se dignava a olhá-lo, preferindo encarar seus doces e salgados do que encará-lo. Como era teimoso, resolveu que quebraria a parede de gelo que ela fazia questão
de erguer entre ambos.
Jamais se daria por vencido. Se ela queria ser grossa e desagradável, teria que aprender a baixar a crista quando estivesse conversando com ele. Mesmo que a conversa
não fosse do agrado dela e nem houvesse se iniciado por que ela assim o quisesse.
    - Que legal! - Exclamou ele.
    - O que é legal?
    - O fato de Bete estar grávida também! Será muito engraçado! Dayse mal acabou de ter
um bebê e agora é a vez da mãe dela! Adoro essas coisas!
    - Conhece-as? - Perguntou e se arrependeu em seguida. Que lhe importava se ele conhecia Dayse
e a mãe ou não? E, era lógico que devia conhecê-las. Não era amigo de Lucas?
    - Sim. Conheço-as. Sou amigo de Felipe e de Lucas. - Ele resolveu sentar-se na
cadeira ao lado dela, o que a desagradou terrivelmente. Interpretara a pergunta dela como
um jeito de continuar o bate papo.
    "Por que o chatonildo não vai embora?" Olhou para os seus doces e teve vontade de
fazer uma bola com tudo o que estava ali e mais algumas folhas que se encontravam na mesa
e enfiar na boca daquele arrogante para que ele se engasgasse e calasse aquela boca
nervosa que não parava de falar. Mas não iria desperdiçar sues deliciosos doces com aquele
insuportável metido a besta!
    Leon sabia que ela não estava gostando de conversar com ele. Mas sempre gostara de um desafio. Além do mais, ela era linda! E ele, no momento, tinha todo o tempo
do mundo para se dedicar aquela gata
selvagem e arredia. Domaria aquela fera. Estava de férias, longe se sua empresa. Poderia dispensar um pouco do seu tempo livre para se dedicar a uma tarefa deliciosa
como abrandar uma pantera cheia de ferocidade.
    - O que você está lendo? - Perguntou ele causando nela, uma irritação ainda maior.
    "Realmente, não é da sua conta!" Pensou ela, mas decidiu dar a ele mais um pouco de corda. Provavelmente ele se enforcaria nela.
    - Uma história sobre bruxaria. - Respondeu ela demonstrando não estar gostando da intromissão do rapaz.
   - Você é uma bruxa? Quero dizer, uma dessas bruxas modernas que estão na moda hoje em
dia, como algumas moças dizem ser? - Ele perguntou se fazendo de sério. A pergunta, num tom muito
casual, poderia irritá-la ainda mais. Além disso, muitas mulheres gostavam de ler sobre
bruxaria atualmente. Há pouco tempo, conhecera uma loira linda que se dizia Wicca. Quando
ele perguntara o que significava ser Wicca, ela simplesmente respondera: "Ora, sou uma
bruxa!" E não lhe dera maiores explicações. Ele, entretanto, sem se dar por satisfeito,
procurara se inteirar do assunto. Acabou por descobrir que muitas pessoas nem sabiam do
que falavam. E, como não era do interesse dele, deixara a sua curiosidade de lado. Mas
nada impedia que ele voltasse a se tornar curioso a respeito daquele assunto mais uma vez.
Sem dizer que as mulheres que viviam envolvidas com esse tipo de assunto eram frequentemente
ridicularizadas por alguns de seus conhecidos e, naquele momento, por ele mesmo. Se ele desse
a ela essa impressão, a conversa desandaria de vez e ele ainda poderia estar semeando uma tempestade.
Não a conhecia e o pouco que ela já  lhe demonstrara, deixava claro que ela não era a pessoa
mais simpática do planeta. Não queria terminar com uma amizade antes que ela começasse.
Tinha que descobrir o que a transformava num porco espinho ao menor comentário dele. E nem sabia por que isso parecia-lhe importar. Ela agia assim com todos ou somente
com ele? E, infelizmente, aquela pergunta extremamente idiota lhe saíra dos lábios. Agora,
era só esperar pelo desfecho, o quall, ele presumia, deveria ser desastroso. Mas não tanto
quanto aquela pergunta ridícula que ele acabara de pronunciar sem se dar conta. Mexeu-se
incômodo e esperou pelo ataque.
    - Não. Acho que não. Só gosto de ler a respeito. Eu... Eu...
    Ele quase perdera o equilíbrio. Ela apenas respondera. Não percebera a ironia? Apesar
do tom casual que usara, aquela pergunta não demonstrava o menor sinal de inteligência da
parte dele. Pior! A resposta simples dela demonstrava uma inteligência menor ainda que a
dele. Enganara-se? Era uma mulher limitada? E o que lhe importava isso? Estava
conversando com ela apenas para passar o tempo.
    "Que cara chato e irritante!  Conseguiu me deixar sem palavras! Afinal, o que ele
quis dizer com isso? Sou uma bruxa só porque estou lendo um romance que fala de bruxaria?
Retardado! Idiota! Que mula!"
    - Se você gosta desse assunto, tenho bastante coisas em casa. Se quiser, posso emprestar
para você. - Ele falava com um ar sincero. Você poderá até aprender a fazer alguns
feitiços interessantes! - Ele tentava ser simpático para não irritá-la. Mas sabia que
acabava, mais uma vez, de enfiar os pés pelas mãos. O que aquela mulher tinha que o
deixava nervoso, capaz de fazer os comentários mais descabidos. Se algum de seus amigos
estivesse ali, na certa estaria rolando no chão de tanto rir da cara dele. Por que não
dava uma dentro?
    - E por que eu iria querer aprender a fazer algum feitiço? - Perguntou desdenhosa.
    - Para enfeitiçar o meu coração. O que você acha? - Disse ele com um sorriso
divertido que ela notava que atingia o olhar. O cara era uma pessoa feliz! Ria até com os
ollhos! Que falta de respeito! Devia ser proibida tanta felicidade nos olhos de uma
pessoa!
    - Se eu soubesse fazer feitiços, faria você desaparecer e parar de falar bobagens na
minha cabeça.
   - Estou brincando. Agora, falando sério, acho interessante que as pessoas conheçam esse
assunto a fundo. Evita preconceitos e eu sou um homem que luta contra os preconceitos.
Acredito que você também pensa como eu. - "Pronto! Agora conseguiria conversar feito
gente grande!" -  Quer dar uma olhada em meus livros? De repente, quem sabe, você encontra
algo interessante? Minha biblioteca é vastíssima e seria uma fonte inesgotável de
conhecimentos para você.
    - Eu... Eu gostaria muito. - Ela respondeu sem saber o que dizer. Na verdade, só queria que ele saísse dali. Queria ficar sozinha e se concentrar em sua leitura
que estava muito interessante. Não queria ler os livros dele. Não queria conversar com ele. Só queria que ele a deixasse em paz. Ele a estava confundindo e ela se
sentia vulnerável demais com ele ali, sentado tão perto. Tinha que raciiocinar rápido e sair dali antes que não conseguisse mais pensar com clareza. Tinha que deixar
bem claro para ele que ela era um bicho do mato e que não gostava de ninguém. Além disso, ele falara sobre preconceitos. O que queria dizer com aquilo? Seria uma
crítica a ela? Quem, melhor do que ela, poderia falar sobre preconceitos. Não a
menosprezavam todos?
    - Você está com seu horário livre? - Ele interrompeu seus pensamentos.
    - Só vou dar aula bem mais tarde... - Ele voltara a deixá-la
confusa. Ela perdera o fio do pensamento que estava seguindo. Como se livraria daquele chato? Um chato que era lindo demais e que não havia nenhuma razão para estar
ali, puxando converssa com ela!
    - E por que está aqui se não vai dar aulas agora? - Insistia ele em uma conversa.
    - Olha aqui, - começou ela em tom meio agressivo - eu venho aqui
para ler. Estou na sala dos professores e hoje, uma segunda, ninguém para por aqui. Somente na hora da entrada e foi exatamente quando você nos foi apresentado.
Já conheci você, sei que se chama Leonardo, que é professor de matemática e chega! Não quero conversar com você, não quero ler seus livros, não quero fazer feitiços,
não me interesso por sua luta contra os preconceitos e nem pelo que você tem na sua casa. Pronto?  Consegue me compreender ou quer que eu desenhe? - Olhou-o em desafio.
Que fosse para o diabo! Queria paz! Apenas isso! Era pedir muito?
    - Por que a agressividade? Só queria fazer amizade. Sou novo aqui e...  - Ele falava em tom tranquilo e apaziguador. Na verdade, estava divertido com aquela
situação. Ela era linda, embora se vestisse de uma maneira odiosa, nada sexy, nada feminina. Parecia um... Nem sabia explicar. Estava de tênis, uma calça jjeans,
cujo compreimento ia até abaixo dos joelhos e uma camiseta cinza, feia e uns três números maior que o dela. Se vestia muito mal e parecia fazer aquilo de propósito.
Se escondia? Queria esconder sua gritante sensualidade? Por que?
    - Em primeiro lugar, não quero fazer amizade com você. E, se está morando no Rio há pouco tempo, logo, logo você vai ter um milhão de amigos. Só me deixe em
paz, ok? - Os olhos dela cuspiam fogo.
    - Por que está tão zangada? Queria saber o que está achando do livro que está lendo. - Ele insistia num tom calmo. Parecia estar conversando com uma menina travessa
que vivia fazendo pirraça.
    Ela ficou calada, concentrada em comer seus doces. Fexhou o livro, após ter comido seu último pedaço de rocambole, guardou as coisas em sua mochila, levantou-se
e se dirigiuu à porta para sair.
    - Vai sair e me deixar falando sozinho? Nem sei seu nome! Ei! Diga-me ao menos o seu
nome!
    Ela nem se virou. Saiu e o deixou ali, entre aborrecido, por ter
sido ignorado e curioso por ela nem ao menos se interessar pelo que ele tentava dizer.
    Geralmente, as mulheres faziam questão de estar com ele. Porr que ela o esnobava  tão
declaradamente? Não gostava de homens? Era assexuada? Devia haver algo de errado com ela.
Só podia ser com ela. Com ele, tudo sempre ia as mil maravilhas!
    " Vou quebrar esse gelo, você vai ver. minha querida! Aposto o que você quiser como
quebro essa barreira em muito pouco tempo!" Pensou sorrindo consigo mesmo. - Ou não me
chamo Leonardo Keller!

Quer continuar a leitura?

Acesse um desses links abaixo 



                    Romances no Rio 6 - Um pequeno erro de julgamento - romantico  e sensual


                   

   


Anjos, Esperança e Gratidão 2 - Um Voo Nas Asas Da Gratidão

        Muitas vezes, a vida ataca de forma tão feroz que uma pessoa se sente perdida em meio a tanta desolação e destruição. Por mais...