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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Série Minha alma gêmea é você 3 - Um homem vingativo





                                        Minha Alma gêmea é você 3 - Um homem vingativo

                Isabela achava que era a mulher mais infeliz do planeta. Não era só mais uma
gordinha.  Era obesa. Verdadeiramente obesa! E não era nada bonita. E,
para complicar, acabara se casando com um homem lindo, desejado por muitas e um fantástico amante
que a odiava e a traía diante de todos.
Seria por que era feia? Seria por que era obesa? Entretanto, ela se deixava
humilhar por aquele homem sem coração pois o amava e não tinha coragem de abandoná-lo. Talvez até
fizesse isso, mas sabia que nenhum outro homem iria querer se envolver
com uma mulher feia, obesa e que estava perto dos quarenta! E, para piorar, tinha os filhos. Como
poderia educá-los, criá-los, cuidar deles sem o pai por perto?


                           capitulo 1

      


                Usando de franqueza, bela era tudo aquilo que Isabela não era! E ser bela, atraente,
sensual, desejada, admirada, era tudo o que Isabela mais almejava
na vida. Também queria  ser magra! E sexy. E adorável!
 Qualquer coisa que fizesse com que
Emiliano a amasse, a quisesse. Mas a beleza, a elegância, o charme,
a  atração física passavam tão distante dela quanto possível. Aliás, ela estava no fundo do poço em
termos de aparência. A pele de seu rosto, muito clara, estava
repleta  de manchas vermelhas como se os pequeninos vasos sanguíneos houvessem todos se rompido de
uma vez. Como se não bastasse aquele rosto pintadinho de vermelho,
talvez,  herança da sua ascendência nórdica, já que seu pai era finlandês,  a pele de seu corpo
escamava. Era áspera, ressecada e rugosa. Os cabelos estavam de dar
medo.  Secos, opacos, com pontas quebradiças e duplas, um horror!
Aquele emaranhado louro mais parecia um amontoado de arame farpado! Qualquer cabeleireiro que se
prezasse, correria de Isabela! Além disso, estava obesa. Obesa mesmo, não apenas
gordinha  ou levemente acima do peso. Já passava dos noventa quilos e sua estatura, de um metro e
cinquenta e oito, não colaborava muito, fazendo-a parecer um bujão
de gás,  ou, mais  exatamente, com a forma de um barril, se é que um barril, tivesse forma.
                E, como se nada disso fosse suficiente para deixar qualquer mulher deprimida, seus
filhos eram terríveis e ela era a mulher mais mal amada do planeta.
Seu  marido a detestava, seus filhos a detestavam e até seu cachorro, um cãozinho de apenas três
patas que seu filho Eduardo de oito anos encontrara na rua, ferido
e  faminto, também a detestava.
                Mesmo assim, Isabela se mantinha firme naquele casamento de tantos anos. Não largava
o osso e era o alvo da compaixão de todos os outros seres humanos
que  não faziam parte de sua família.
                Dessa forma ela transitava pelo seu universo, amando aquele marido que a traía, sem
que nem mesmo fizesse questão de esconder tal fato, amando aqueles
filhos  ingratos que só lhe davam desgosto atrás de desgosto!
                "Bolha inchada! Uma grandessíssima bolha inchada era o que ela era!"
                Aliás, era assim que ela se sentira na última vez que  ela e seu amado marido
fizeram amor. Amor não. Ódio! Há muitos anos que faziam ódio.
                Ódio era o que sentia por si mesma, por ser fraca demais, por não conseguir dizer não para aquele homem detestável!
    Certamente, houvera um tempo em que as coisas até que pareciam que iam entrar nos
eixos. Mas tudo voltara a estaca zero. Tudo bem que todos que conheciam
muito bem Emiliano Zanon diziam que, desde menino, ele demonstrara uma natureza terrivelmente
vingativa. Mas ela jamais fizera qualquer coisa que pudesse incitá-lo
a querer se vingar dela. E, mesmo que assim fosse, que homem viveria com uma mulher por tantos anos
apenas para fazer da vida dela um verdadeiro inferno? Nada daquelas
coisas faziam muito sentido para ela.
                O que ela podia fazer diante dos maus tratos psicológicos? Ir-se embora? Mas para
onde iria? Não tinha emprego e nem mesmo uma profissão. Não terminara
a  faculdade. Sempre fora bastante preguiçosa. Jamais gostara de trabalhar. E não queria retornar
para a pousada que os seus pais mantinham em Penedo.
                Ouvir os maus tratos do marido doíam mais nas outras pessoas do que nela. Pelo
menos, era o que vivia a dizer para si mesma. E precisava acreditar
naquilo  a fim de sofrer menos! Até gostava de saber que as pessoas o detestavam por que ele era um
homem mau, grosso, péssimo marido e um pai ainda pior.
                Isabela gostava que sentissem pena dela. Era um alívio para a sua alma doente. Ouvir
as pessoas falarem mal de Emiliano Zanon a reconfortava e dava-lhe
forças  para continuar a empurrar a vida com sua protuberante barriga.
                Muitas vezes, porém, as palavras de Emiliano atingiam-na bem no fundo da alma. Na
verdade, era mais a falta de palavras que doíam tão fundo. ele
quase não  lhe dirigia a palavra. Nunca conversavam. Ele jamais se interessava em saber como ela
estava ou como as coisas entre as crianças iam passando. Não queria
saber nada  sobre ela ou sobre seus filhos. Não tinha o menor interesse no estrito universo de sua
família. Os ombros de Isabela, assim como suas costas, seu estômago,
enfim,  todo o seu corpo doía ao sentir o peso do desprezo que ele lhe demonstrava a cada minuto do
dia. Era como se ela não existisse, como seus filhos não existissem.
Ele realmente os desprezava e fazia questão de que ela e as crianças tomassem ciência disso.
                Isabela sabia que não era bonita. Nunca o fora. Seus cabelos loiros e cacheados,
seus olhos verdes, sua herança nórdica, nada disso a faziam ter
uma aparência  agradável. De nada lhe adiantara os olhos verdes, a tez clara e aqueles cabelos
longos e dourados. Se a descrevessem para um desconhecido, obviamente,
ele deixaria  a mente passear em busca de uma estonteante loura, sexy e vibrante. Contudo, Isabela
era o oposto de tudo aquilo. Não passava de uma loura aguada e
sem graça, nada  sexy, nada atraente, nada deslumbrante. Aquela palavrinha de cinco letras era capaz
de evocar as mais sensuais e fantasiosas ideias sobre sexo. 
"Loura!" Tudo tão  distante do que ela era na verdade. Assim, nem acreditara quando, anos antes,
Emiliano Zanon  demonstrara por ela, tanto interesse. E, menos ainda
quando ele lhe  confessara o seu amor. Emiliano, apaixonado por ela? Ficara louca de satisfação.
Aquele homem lindo, aquele rapaz que toda garota sonhava em ter,
tinha olhado para  ela, tinha visto algo que ninguém jamais vira  e, o mais impressionante de tudo,
a desejara, e até se apaixonara por ela.
                Logo ele! Justamente o rapaz ao qual ela dissera para si mesma que era proibido
olhar, admirar ou chegar perto. Era o cara mais assediado daquele
lugar.  Era advogado e tinha um brilhante futuro pela frente. Trabalhava na empresa do pai, um homem
durão, que tinha a fama de ser espancador dos filhos, quando
eram mais  novos e de ser um feroz agressor de sua infiel e malévola esposa. Todos naquela cidade,
conheciam a terrível fama de Victório Zanon, que enriquecera de
repente,  com muito suor, trabalho e as mais terríveis falcatruas e muita corrupção, ao criar uma
empresa que fabricava louça sanitária, revestimentos cerâmicos
e porcelanato,  tão bem sucedida que até exportava seus produtos para vários países da América
Latina e Europa.
                Emiliano era o tipo de rapaz que seu instinto a obrigava a manter-se distante. Não
era o tipo de homem que olharia duas vezes para uma garota como
ela, sem  atrativos e totalmente desprovida de charme e elegância.
                Enquanto ele era uma mistura de Christian Bale com Rodrigo Santoro, lindo, másculo,
sensual e moreno, ela era a cópia fiel de uma  bruxa feia de
um conto  de fadas qualquer. Já era gordinha naquela época. Obviamente, não tanto quanto agora. Mas
seus sessenta e cinco quilos aos vinte anos, já deixava claro
uma premier  do futuro. Entretanto, até ela se assustara com seus noventa quilos para um metro e
cinquenta e oito!
                Além disso, todas as garotas que davam em cima dele eram bonitas demais e ele
parecia entediado com elas. Então, o que diria se ela aparecesse a
sua frente  e se insinuasse. Na certa, riria dela e de seus parcos esforços para chamar a atenção de
um homem tão bem sucedido como ele e que em breve poderia estar
a frente  de uma empresa de porte internacional.
                Naquele tempo, Isabela, ao entrar na adolescência, sentira-se animada com a
liberdade que seus pais iam lhe dando pouco a pouco. Todas as vezes que
saía  para dançar, ver um show, ir ao shopping e ao cinema, ouvia umas trinta e oito horas de
recomendações.  
                Com o passar do tempo, foi percebendo que aquelas recomendações não se aplicavam às
meninas sem atrativos como ela. Os garotos adolescentes, nem
pensavam  em olhar para ela. Afinal, ela era o motivo das piadas, das pegadinhas, das gozações.
                Fora terrível descobrir-se feia e gorducha aos quinze anos! Enquanto todas as suas
colegas ficavam com um menino, ela sempre ficava sozinha em algum
lugar,  esperando que a colega com a qual saíra, retornasse dos amassos para que pudessem voltar
para casa.
                Aos dezesseis, jamais dera um beijo num garoto. Era apelidada de boca virgem e os
meninos, rindo e caçoando, ainda lhe dizia na lata que, se dependesse
deles,  ela continuaria assim até os cento e noventa anos!
                Aos dezessete, embora desejasse muito sair com os colegas, evitava ao máximo. Ficava
em casa, lendo revistinhas de fofocas, historinhas românticas
e vendo  TV.
                Aos dezoito, fora para a Universidade Rural. Nem sabia como passara no vestibular e
nem se interessara em saber. Queria afastar-se dos amigos cruéis
de sua  infância e adolescência.
                Entretanto, as coisas não mudaram. Agora, as colegas eram um pouco mais velhas, não
riam de seu peso acima da média, na sua cara. Mas deixavam claro
que  riam dela, antes mesmo que ela se afastasse por completo. Era um modo de deixar que ela
soubesse que não era aceita entre elas. Não gostavam que seu grupo fosse
maculado por uma garota feia. E ela acabou se afastando de todas as meninas, com exceção de Janaína,
uma garota revoltada com qualquer assunto ligado a agro pecuária
e que estava justamente estudando essas coisas para mais tarde, poder tomar conta da fazenda de seus
pais.
                Fora com Janaína que aprendera a passar por cima das humilhações e ir em frente.
Embora essa tática não evitasse que a dor a atingisse no mais profundo
de  sua alma, acabara a se lixar para a opinião alheia. Saía com Janaína, ia aos barzinhos, tomava
cerveja e ria de tudo o que via e ouvia.
                Janaína era muito paquerada, pois era uma morena de fechar o comércio meio parecida
com Sheila Carvalho, mas nem se importava com as atenções masculinas.
                Acabaram por apelidarem as duas de a loura e a morena do Tchan!
                Elas riam da brincadeira, mas, no fundo, Isabela se sentia reconfortada com aquelas
palavras, mesmo sabendo que jamais ela poderia se comparada aquela
loura  escultural que acompanhava a morena do Tchan. E, ao mesmo tempo que seu interior se sentia
satisfeito com aquele falso elogio, temia que algum dos rapazes
acabasse  por magoá-la, ao rir, ao zombar do apelido que recebera e que, embora estivesse distante
em anos luz da verdade, aquilo lhe fazia muito bem.
                Curiosamente, ninguém jamais riu. E ela, por outro lado, evitava os lugares
frequentados por aqueles que não se importavam em magoar as pessoas,
rindo de  seus pontos mais fracos, zombando de algo que nenhum ser humano escolheria ter por livre e
espontânea vontade.
                Quem escolheria ser obeso? Quem escolheria ser feio? Quem escolheria ser pobre? Quem
escolheria ser deficiente em alguma coisa? Quem escolheria ser
ignorante?
                Mesmo com a constante ajuda de Janaína, Isabela evitava sair com frequência. Não
queria tolhir a liberdade da amiga fazendo-a de guarda-costas ou
anjo da  guarda o tempo todo. Sua amiga tinha o direito de se divertir, dançar, conversar com quem
quisesse, ir aonde tivesse vontade, sem ficar o tempo todo preocupada
com  aquela bolha inchada e loura que a acompanhava resmungando por que as pessoas não a aceitavam
de bom grado.
                Entretanto, Isabela adorava sair, tomar umas cervejas, ver a vida passar. Que garota
da sua idade não ia querer se sentar na mesa de um barzinho
com uma  amiga e ver todos os gatos chegarem a sua mesa para flertar com ela? Só não gostavam disso
as recalcadas que viam pecado em tudo! Ela era normal! A sua
vida é que  não era! Mas tinha que manter-se um pouco distante. Não adiantava gostar de sair e
sentir-se posta de lado. Os rapazes entravam nos bares, conversavam
educadamente  com ela e Janaína, deixando claro que desejavam formar com sua colega, mas que ela era
a maior "empata-foda" do planeta. Não a queriam. Nem mesmo traziam
um colega  para ficar com ela enquanto eles atacavam o prato principal. Na certa, quando pediam a
algum amigo para distraí-la enquanto eles partiam para o ataque
a Janaína,  eles deveriam sair pela tangente e ela nem queria pensar nas possíveis alegações que
eles usavam para evitá-la.
                Aos dezenove, voltara-se outra vez para a solidão do apartamento que dividia com
Janaína e mais duas garotas. Ficava, a maior parte do tempo em seu
quarto.  Queria sair, se divertir, mas não tinha mais coragem para aceitar a rejeição de bom grado.
Assim, mesmo louca para sair com a amiga, bater papo com outras
pessoas,  se divertir, foi ficando cada vez mais raro. Saía muito pouco. A maior parte de seus dias
consistia em ir ao campous, voltar para o apê e, se não houvesse
nenhuma  outra atividade na universidade, ficava em casa.
                Certo dia vira aquele deus romano. Lindo de enlouquecer, alto e moreno, com um corpo
feito para levar as incautas como ela aos mais delirantes anseios.
Mas  ela sabia que, homens como aquele nem mesmo a enxergavam se ela crescesse dez metros a sua
frente. Homens bonitos nunca viam, nunca olhavam, nunca enxergavam
as  mulheres feias. Era como se elas não existissem.
                E aquele não era exceção. Volta e meia aparecia com uma atriz de novelas, uma
daquelas com a qual muitos sonhavam.
                Ele era assediado sem o menor constrangimento por todas aquelas que a viam com os
olhos da censura. Todas as meninas que riam dela, de seu corpo
um tanto  roliço, de seu rosto redondo e sem graça, de sua falta de charme, andavam atrás daquele
deus da perfeita beleza. Se alguma delas sequer imaginasse que
ela sonhava  com ele, ia rir muito da cara dela, sem contar que colocariam tal notícia estranha na
primeira página do jornalzinho que circulava entre os estudantes
daquele lugar!
                Algumas vez, acontecera de estarem no mesmo bar, sempre levada por Janaína, que era
uma das maiores admiradoras do moço. E nem entendia por que ele
era o  único homem do pedaço que não dava em cima dela!
                - Não me interesso por rapaz nenhum. Aqui não tem nenhum cara que faça a minha
cabeça. Mas, se aquele Rodrigo Santoro olhasse para mim, eu não pensaria
duas  vezes. Ia direto para a cama dele sem pestanejar! - Janaína dissera, mais de uma vez, aquelas
palavras que deixavam em Isabela, a certeza de que, se ele nem
olhava  para a sua amiga, alguém que estava a altura da beleza dele, nunca, nessa vida ou nas
trezentas próximas, ele pensaria em olhar para alguém como ela!
                Então, fora com espanto supremo que ela o vira, certa vez, caminhar em sua direção,
numa mesa de  uma boate, e convidá-la para dançar.
                - Dançar? - Ela falou olhando em volta acreditando que ele se dirigia a Janaína.
                - É. Dançar... - Ele dissera com um ar muito sério.
                - Dançar? - Ela repetira como uma idiota que não conseguia entender o significado
daquelas palavras. Ninguém, em seus dezenove anos, jamais a convidara
para  coisa alguma.
                - Não fala a minha lingua? - Ele perguntou ainda mais sério.
                O que estava acontecendo com aquele rapaz? Não tinha senso de ridículo. Ninguém a
convidava. Era um acordo mudo que havia entre todos os garotos
daquele  lugar. Ela ficava na mesinha, sozinha, enquanto todos dançavam, jogavam sinuca, boliche,
volei, handbol, futsal, basquete ou qualquer coisa que qualquer
um estivesse  fazendo. Fosse o que fosse, ela sempre ficava sozinha. Só ia a uma sessão de cinema
por que pagava o próprio ingresso e podia entrar naquele lugar
livremente, mesmo  sem estar acompanhada.
                - Dançar?                                                      
                - Não sabe sobre o que estou falando? Estou falando português, não?
                Isabela olhou mais uma vez a sua volta. Parecia que todos, não só naquele bar mas
até mesmo no Alaska, mantinham sua respiração suspensa. Ela seria
capaz  de ouvir um alfinete, caso algum caísse ali. Mas nem mesmo um objeto qualquer ousaria tal

feito. Até os alfinetes, caso existisse algum ali, não ousavam se
mexer,  esperando que ela, em algum momento da vida, compreendesse as palavras que aquele
maravilhoso homem que todas as mulheres naquele recinto, sem exceção, desejavam
ouvir sair daquela boca perfeita e sensual, dirigido a uma delas.
                - Dança comigo, Isabela? - Ele repetira.
                Oh, Deus! Ele sabia seu nome! Não a chamara de loura aguada do Tchan, gosducha,
bolota,  nem coisa parecida, as quais ela já se acostumara ouvir.
Ele a conhecia.  Como era possível?
                - Até quando vai deixar o rapaz esperando, Isabela? - Janaína a cutucara. - Ele não
vai ficar com a mão esticada em sua direção eternamente, né?
Levante  esse traseiro e vá dançar com ele.
                - Eu?
                - Foi você que ele convidou, não percebeu? Se tivesse me pedido eu já estaria nos
braços dele há séculos. - E Janaína olhou esperançosa para o rapaz
moreno  que fingiu não ter ouvido a insinuação.
 Foi necessário que Janaína lhe desse um beliscão para que Isabela acordasse e, finalmente
entendesse o que se passava. O homem mais lindo daquele lugar, daquela
cidade, daquele estado, daquele país, do mundo, a convidava para dançar.
                - Aaaaaaaaaaiiiiiiiiiii! Isso doeu! - Isabela gritou alto fazendo com que a olhassem
ainda mais.
                E, pela primeira vez estivera nos braços de um homem. sentindo que estava sendo
paquerada, que ele estava excitado.  A ereção dele encostando em
sua barriga  a fazia sonhar acordada. Fora a primeira vez que sentira o volume do membro duro de um
homem roçando em seu corpo. Estava extasiada. Ele estava excitado
por ela  ou olhava para uma outra mulher enquanto a conduzia, bem agarrada a ele, pela pista? Seria
por causa dela? Mas como era possível? Jamais excitara alguém!
Duro! O  membro dele estava duro feito pedra!
                Não ousara exagerar. Ele apenas a convidara, sabia-se lá por que, para dançar. De
certo, ao terminar a música, ela retornaria ao seu mundinho cinza
e ele  partiria na direção de outra presa.
                Todavia, tentava assimilar ao máximo, aquela sensação de estar nos braços do mais
maravilhoso homem que ela já vira de perto. De muito perto!
                Registrava em seu algum  mental cada segundo daquele acontecimento, que, com toda a
certeza, seria o único que teria para pensar durante muitos anos!
                E, quando a música acabara e ela se preparava para voltar a sua mesa, ele a prendera
em seus braços e a convidara para dançarem mais uma música.
                E assim, ao terminar a noite, ela estava perdida nos braços dele, louca para fazer
amor com ele, pois nunca mais teria uma oportunidade como aquela,
de perder  sua virgindade com alguém tão espetacular. Provavelmente, jamais perderia a sua
virgindade, pois, quem teria coragem de ir tão longe com ela?
                E ela, que pensara que jamais nenhum homem se interessaria por ela, estava ali, nos
braços do mais desejado de todos.
                Quem imaginaria tal coisa? Ninguém jamais a quisera. Nem mesmo para passar o tempo.
Sempre tinha garotas bonitas se oferecendo para os rapazes. Dessa
forma,  nenhum perdia tempo em olhar para ela, nem mesmo como prêmio de consolação.
                Acreditava que passaria o resto de sua vida sozinha e que, se um dia quisesse ter
filhos, teria que recorrer a inseminação artificial.
                 Mas ele fora até ela. E confessara estar apaixonado. E até se casara com ela. E até
lhe jurara amor eterno.
                E, nenhum ser do planeta jamais entendera o que acontecera. Nem mesmo Janaína,
quando ela lhe convidara para ser sua madrinha de casamento.

                - Vão se casar? - A amiga perguntara atônita.
                - Vamos sim.                                                 
                - Caramba! Por essa eu realmente não esperava!
                - Por que sou feia e gordinha?
                Janaína demorara um pouco para responder. Isabela compreendia. O fato de serem
amigas não fazia com que Janaína ficasse cega para a realidade. De
fato, Isabela  era feia e gordinha e homens como Emiliano Zanon não estavam habituados às mulheres
do tipo dela.
                - Ele disse que me amava... - Disse se desculpando.
                - É verdade... Todos comentam sobre isso. Mas vocês são tão jovens...
                - Estou grávida!
                - Ah...
                Aquilo podia explicar tudo. Ele estava se casando para resolver um problema.
Todavia, quantas declarações de amor ele lhe fizera? Foram tantas e
tão convincentes  que ela acabara acreditando.
                Para onde fora aquela paixão que desaparecera já na noite de núpcias? Para onde fora
todo aquele amor que Emiliano lhe jurara que seria eterno? O
que acontecera  com ele que de um momento para o outro passara a odiá-la como se ela fosse o próprio
demônio?
                Não sabia. Ninguém sabia. E nenhum ser humano seria capaz de explicar aquela
mudança.
                Então, os mais próximos, que não viam uma razão plausível para aquele casamento,
achavam que aquilo era o maior erro que Emiliano Zanon estava cometendo.
Casar-se com a bruxinha feia e gorda?
                Ainda se lembrava do momento em que entrara na igreja, levada pelo seu pai até um
Emiliano que a esperava no altar com os olhos rasos dágua, completamente
apaixonado. O amor que ele lhe demonstrava era genuíno e verdadeiro. Tinha certeza disso. Dava para
sentir no ar. Estava escrito em cada gesto dele, em cada olhar.
Era até mesmo respirável. Ninguém duvidava daquele amor.
                De lá do altar, onde ele se encontrava, ela o ouviu dizer várias vezes que a amava,
enquanto ela ia caminhando até ele, pelo corredor da igreja lotada.
Ele,  em nenhum momento, tivera vergonha em expressar todo o seu amor por ela.
                - Amo você! Amo você, minha linda! Amo você! - Era o que ele dizia a cada passo que
ela dava em sua direção.
                A igreja repleta parecia envolvida naquela atmosfera romântica. Suas colegas,
meninas as quais ela nem convidara mas que foram ao casamento acreditando
que  ele faltaria ao evento ou que desistiria na hora "H", estavam pasmas com aquela demonstração de
amor e carinho.
                Seu pai, orgulhoso e satisfeito por ter a certeza de que a filha seria feliz, que
estava fazendo um bom casamento, dera-lhe o mais amável dos sorrisos,
dando  a ela ainda mais confiança e crença naquele futuro cheio de felicidade que a aguardava.
                Como todos estavam errados! Muito errados!
                Seu casamento se tornara um pesadelo, repleto de drama  digno de concorrer com as
novelas mexicanas mais trágicas!
                Emiliano, seu príncipe encantado se transformara, não num sapo, mas num monstro
assustador, cruel, egoísta e totalmente insensível!        
                Só vivia com ele por não saber o que fazer da vida. Tinha cinco filhos. Como iria
embora de casa e cuidar daquela filharada sozinha?
                Tudo bem que seu marido lhe daria uma gorda pensão para poder se livrar dela e
daquelas crianças que ele deplorava mas ela não ia facilitar as coisas
para  ele daquela forma.
                Amava-o. Amava-o mesmo sabendo que ele a odiava. Amava-o mesmo sabendo que ele tinha
outras mulheres. Amava-o mesmo sabendo que todas as vezes em
que ele  estava por perto, só abriria a boca para humilhá-la. Amava-o incondicionalmente. E, o mais
engraçado era saber que ele jamais acreditara, ao longo de todos
aqueles  anos de casamento, que ela o amasse.
                As mulheres com as quais ele se envolvia, volta e meia, cruzavam, deliberadamente ou
não, o seu caminho.
                Uma delas até fora no portão de sua belíssima casa de dois andares para dizer-lhe
que estava grávida de Emiliano. Mais tarde, fora provado que não
estava  e Emiliano, como sempre fazia, a trocara por outra que desse menos trabalho e fizesse menos
exigências.
                Percebera, com o passar dos anos, que as amantes de seu marido não tinham o direito
de exigir nada dele. Emiliano jamais permitira que qualquer mulher,
até  mesmo ela, que era sua esposa, o fizessem de bobo, o cobrassem por qualquer razão. Assim, iam e
vinham aos montes e ela assistia a tudo de camarote. Contudo,
era  humilhante demais saber que seu marido a traía descaradamente.
                Nunca, desde o início de seu casamento , ela jamais  imaginara que ele  pudesse
traí-la. Afinal, ele dormia em casa todas as noites e ainda faziam
amor sem  falhar uma noite sequer! Além disso, durante todos aqueles anos de casados, Emiliano
jamais passara uma noite fora de casa, embora dormisse no quarto de
hóspedes  por milhares de vezes. Era só ela fazer qualquer tipo de cobrança que ele saía do quarto e
ia embora. Mas nunca abandonava o lar.  Ia somente até o quarto
de hóspedes  e por lá ficava alguns dias. Nunca mais de três dias. E mesmo assim, sempre a
procurava. Não deixava de transar nenhuma vez, apenas quando ela estava
de resguardo  ou, no início do casamento, quando haviam retornado da lua de mel e ele nem mesmo a
tocara, embora dormisse todas as noites na mesma cama que ela!
                No dia em que se casara, aguardara por ele. Mas ele nem mesmo a olhara naquela
noite. 
Desprezara-a.  Rejeitara-a. Fizera de conta que ela nem estava ali, ao seu lado, quando antes
deixara bem claro que estava desesperado para fazer amor com ela.
Quantas e quantas noites ele não havia tentado antes?
                Também jamais pedira o divórcio ou  tocara no assunto de uma possível separação.
                Todavia, tudo piorara mesmo há pouquíssimos  anos, quando  engravidara de sua filha
caçula Emaline. Se antes as coisas não iam muito bem, agora,
o caldo  entornara de vez! Desde o dia em que dissera a Emiliano que estava grávida, passara a comer
o pão que o diabo amassara!  


             Minha alma gêmea é você 3 - Um homem vingativo    



                                   

              

                          Boa Sorte!!!



7 comentários:

  1. meu deus que sinopse otimo o livro deve estar otimo posta logo bjs.....

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  2. oi adorei o livro obg por postar bjs.........siga assim

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    1. Obrigada, Leydi... Tem mais vindo por aí.
      Você não quer assunar meu blog como seguidora?
      Beijos!!!

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  3. oi eu tenho um blog sobre livros e tb escrevo os meus, não perca a esperança. Me mande seus livros p eu ler, pelo email nathalsant@gmail.com e eu faço a resenha deles no meu blog.
    Estarei esperando.
    Faça uma breve descrição sobre vc e suas obras.
    bjs
    ca
    http://mromances.blogspot.com

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  4. oi, fiquei imensamente feliz ao ler seu comentário. Você é a primeira pessoa que se oferece para fazer uma resenha de meus livros. Tenho uma enormidade de blogs na minha lista e nenhumas das blogueiras parece nem mesmo ver que existo. Há muito tempo que tento fazer parte da lista de livros das garotas mas parece que éssas portas estáo sempre fechadas, o que já é muito triste pois as editoras também fecham suas portas sem nem mesmo querer dar uma olhada no material que escrevo.

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  5. amei o livro espero que tenha um fim. seguidora do blog

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  6. Eu adoro os seus livros. Minha mãe, que não mexe com computador até já leu também, de tão bom que são! Continue escrevendo assim, sempre que acaba um livro, eu fico a espera do próximo e sempre divulg...

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