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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Romances no Rio 8 - Gritos do Passado

Colin  Farrell

 Sthephanie Gallagher é uma bela jovem sem nenhum compromisso com homem algum e quer apenas se divertir. Solano Morelli é um agente secreto, que por acaso, cruza
o caminho da bela morena a pedido de seu irmão Ambrose. Ele não quer envolver-se com uma mulher com a fama que ela carrega, pois sabe que o homem que cair em suas
garras, está destinado a comer o pão que o diabo amassou. Só que ele não é bobo e não vai se deixar seduzir por aquela mulher fatal. Mas ela está determinada a conquistar
o cara durão.


                                                        capitulo 1

        "O que faço agora? Como essa tragédia foi acontecer logo comigo? Pensava Stephanie Gallagher enquanto procurava um lugar para sentar-se na sala de sua casa,
enquanto aquela bagunça generalizada tomava conta de todo o espaço que seus olhos conseguiam percorrer. Dera uma festa regada a muita bebida. Aproveitara que seus
pais haviam viajado para Londres, onde tinham ido visitar seu irmão, Ambrose Gallagher, que, ao se casar com Evangeline., resolveram ir embora de vez para a Inglaterra.
O Brasil trazia muitas recordações ruins para ambos.
        Seu maior problema agora era ligar para seus pais, ou para o seu irmão e dar aquela notícia. Não importava qual deles atenderia o telefone. Fosse quem fosse,
iria ouvir um sermão sem tamanho.
        Na verdade, se fosse ouvir apenas um sermão, estava de bom tamanho. Iam obrigá-la a morar em Londres. Ambrose se encarregaria disso pessoalmente. Se ela
morasse lá, ele poderia manter uma vigilância cerrada em cima dela.
        Quem seria menos pior para atender ao seu telefonema?
        No entanto, torcia para que fosse Ambrose a entrar em contato com ela. Seus pais não gostavam muito dela. Achavam que era uma garota problemática. Não que
ainda fosse uma garota, mas, certamente, ainda causava muitos problemas. Isso, ela jamais poderia negar. E a prova estava ali, diante de seus olhos. Um homem assassinado
em sua festinha. Como dizer tal coisa aos pais ou ao paranóico de seu irmão?
        Por mais de uma vez pegou o telefone e desistiu. Por fim criou coragem e ligou. Não! Não ia ligar para nenhum de seus familiares. Pediria ajuda a Solano
Colin  Farrell
Morelli!
        Sabia que Solano e seu irmão haviam se tornado amigos. Então, ela ligaria para Solano e ele daria a notícia a Ambrose. Dessa forma, seu irmão não explodiria
em cima dela. Até que entrasse em contato com ela, já estaria mais calmo.
        O problema era que desde o dia em que Solano apresentara aquela gravação em sua casa para Ambrose e Evangeline, que ela não via. Para dizer a verdade, só
o vira daquela vez. Nem no casamento de sua irmã Evangeline ele aparecera.
        Não queria pedir ajuda a ninguém, especialmente para Solano. Ele era um homem perigoso demais para que ela estivesse junto dele. Desde que o conhecera, sua
cabeça vivia ocupada pela imagem dele a maior parte do tempo. Isso a fazia se sentir refém de um tipo de sentimento que ela temia. Para piorar, tanto Evangeline
quanto seus sobrinhos, viviam a contar as histórias de Solano Morelli para ela. Ele era um herói para aquelas pessoas. E ela não queria idolatrar ninguém.
        Tentara ligar para o outro cunhado de Evangeline, Leon Keller, mas lhe disseram, na casa dele, que ele, a esposa Jessamina estavam em Londres e que provavelmente
não retornariam ao Brasil antes de que ela ganhasse bebê. Ela fora, com o marido, visitar a irmã e lá não se sentira bem. Como estava no último mês de gravidez,
resolveram ficar em Londres, já que Evangeline, estava nas mesmas condições, embora estivesse gestante de gêmeos.
        Stephanie estava sozinha naquela enrascada. Criou coragem. Ligou para o número de Solano, que o próprio deixara com Evangeline para uma emergência. E era
uma emergência dos diabos! Só torcia para que Solano Morelli estivesse no Rio e por perto.
        - Stephanie?
        - Por que a surpresa? Estou precisando de ajuda.
        - O que aconteceu?
        - Dei uma festinha e agora tem um defunto na piscina. Sabe como é, né? Essas coisas corriqueiras do dia a dia!
        Fez-se um silêncio do outro lado da linha.
        - Quem morreu? ~   - Sei lá!
        - Como, sei lá?
        - Não conheço. O cara veio para a festa.
        - Quem está aí com você?
        - Só a polícia.
        - Quem chamou a polícia?
        - Eu, é claro, né?
        - E onde estão  as outras pessoas?
        - Acredite em mim. Não ficou ninguém. Só o defunto! Acho que é por que ele está meio impossibilitado de ir a algum lugar. Caso contrário, ele também teria
ido embora.
        - Continue falando.
jacqueline bisset
        - Por que?
        - Por que estou indo para a sua casa e quero ouvir a sua voz para que eu não me perca!
        - Engraçadinho!
        - E o seu namorado? Ele não ficou aí com você? - Solano aborreceu-se por se sentir ansioso pela resposta. Onde estava seu auto controle?
        - Não! Renato recebeu um telefonema um pouco antes dessa... disso... Acontecer. Saiu e até agora não voltou e nem telefonou. Já faz mais de tres horas que
ele saiu apressado.
        - Sei. - Solano suspirou. Seria de alívio por ela estar sem o chato do fazendeiro? Se estava tão interessado na bela Stephanie, por que não se insinuara?
Por que deixara o cowboy levar a melhor? Por que nunca mais quisera encontrar-se com ela, cara a cara? Sim. Cara a cara. Pois, de resto, sabia de todos os passos
que ela dava. Sabia de tudo o que ela fazia. Inclusive, sabia que alguém acabara de ser assassinado em sua piscina enquanto ela dava uma daquelas festas que fazia
crescer cabelo em ovo!
        Por essas e outras, ele precisava manter-se o mais distante dela. Nunca vira um ser humano com tal poder de auto destruição como via a sua bela Steph. Ela
fazia qualquer coisa que pudesse colocar a vida dela em risco, ao passo que ele tentava, a todo custo, manter-se vivo. Logo, era uma relação que nem deveria começar.
Por isso, mantinha-se distante. Mas não podia negar que só de pensar nela seu corpo se ouriçava. Pior! Ia estar cara a cara com ela em pouquíssimo tempo.
        E Solano Morelli, que sempre se gabava de estar no controle de qualquer situação, que seu sangue frio sempre o salvara das situações de rico que era obrigado
a enfrentar, sentia-se um tanto debilitado por ter que estar próximo daquela bomba de dinamite pronta para explodir em suas mãos.
        Era bem mais fácil fugir por um campo minado como já tivera que fazer por mais de uma vez ou, ter que desarmar uma bomba em pleno fofo cruzado, ou ainda,
ter que matar alguém a fim de salvar a própria vida. Essas missões eram moleza para ele! Trabalhar disfarçado entre terroristas ou entre traficantes era café pequeno
diante do que precisava fazer agora. Estar perto de Stephanie Gallagher. Preferiria estar combatendo no Afeganistão, no Traque ou num país qualquer da África que
pudesse estar em guerra.
        Mesmo nas muitas vezes que fora ferido, feito prisioneiro, fora torturado, ele sabia sempre o que deveria ser feito para se salvar. Porém, como se salvar
de Stephanie? Isso ele realmente nem tinha noção. Assim, escolhera por manter-se o mais distante dela possível. Ela era pura nitroglicerina nas mãos de um homem.
Ia despedaçá-lo em milhões de pedacinhos. Ia destruir a vida dele do mesmo jeito que ela tentava destruir a dela.,
        E por que aquela beldade tentava, com tanta força, a auto destruição?
         Na verdade, aquilo não era de sua conta. O que ele tinha a ver com ela? Era ´´obvio que a achara linda quando dera de cara com ela no dia em que, inadvertidamente
a conhecera. Não se dispusera a procurar informações mais detalhadas sobre a moça. Concentrara toda a sua atenção nos gêmeeas, Ambrose e Raymond. Deixara-a de lado.
Um erro crasso! Como pudera fazer tal coisa? Como deixara passar uma informação tão importante?
        E, foi exatamente por causa de sua displicência que acabara errando mais uma vez. Trabalhar para as pessoas a quem se amava, realmente era anti ético. Cometera
erro atrás de erro ao tentar resolver os problemas que mergulhara a vida de sua irmã Evangeline num caos.
        Quando chegara a casa da família Gallagher naquele dia em que resolvera libertar sua irmã, que fora levada para lá contra a vontade juntamente com seus dois
filhos Patrícia e Dughlas, ele, tomado de ira, burlou os alarmes e os seguranças e foi resgatá-la.
        Já sabia tudo o que necessitava saber sobre a personalidade de Ambrose Gallagher, especialmente, que ele, embora fisicamente idêntico a Raymond, seu gêmeo,
era totalmente o oposto em termos de índole e caráter. Sabia que ele não machucaria Evangeline, como Raymond fizera durante dez anos, mas, o fato de saber que a
mantinha prisioneira o fizera perder o controle, coisa que nunca acontecia.
        E assim, chegara a concordar com um amigo que se negava a tratar dos assuntos de família. Nunca dava certo.
        E, realmente, não dera.
        Ao entrar naquela sala luxuosa, deu de cara com aquela obra de arte, esculpida e pintada pela mãe natureza. Ficara pasmo. Pensara, seriamente em procurá-la,
assim que aquela confusão fosse resolvida. Mas logo descobrira que não valeria a pena. Ela era o tipo de mulher que alguns homens consideravam como "chave de cadeia."
        Sabia que muitos ficavam maravilhados com aquele tipo de mulher. Mas ele gostava de viver. E de viver em paz.
        E ela era do tipo que só trazia problemas, aborrecimentos e complicações. Nunca, em tempo algum, poderia envolver-se com aquela carga explosiva. A menos
que não tivesse respeito e amor pela própria vida.
        - Ei! Você ainda está aí? - Ela perguntou ansiosa.
        - Claro, milady. Seu leal súdito ainda permanece na linha. Está com medo?
        - De quem? Do defunto?
        - Está? - Ele insistiu. queria mantê-la conversando. Ela, com certeza, estava com medo do que estava acontecendo. Não do morto, isso era lógico. Ele já estava
morto mesmo! Mas, e quem o matara? Estaria por perto? Matara a pessoa certa? E, por que matara?
        Não sabia, contudo, se Stephanie pensava nessas coisas. Gostaria de que, caso ela pensasse, que se mantivesse calada. Porém, conhecendo o gosto dela pelo
perigo, tinha dúvidas. Ela, certamente, diria a coisa errada, no momento errado e para a pessoa errada.
        - Claro que não estou com medo! O defunto está morto. Não vai sair da piscina e matar-me também! Não sou maluca para temer um defunto! Pelo menos, nada do
que está aqui perto me assusta. Só tenho medo de dar a notícia de uma morte na piscina aqui em casa para Ambrose. Ele vai me matar e me jogar na piscina junto com
o morto.
        - É só isso que a preocupa?
        - Ser jogada na piscina com o morto? Na verdade, se eu estiver também morta, acho que não reclamarei muito, né?
        Ele riu do outro lado da linha.
        - Não? - Perguntou.
        - O que? Ser estraçalhada por Ambrose? Não! Imagina? Ele só vai me picar em mil pedaços! Por que eu teria medo? - Disse ela sarcástica. - Devo estar precisando
emagrecer mesmo, né?
        "Realmente, ela teme o irmão. Isso pode ser um ponto a meu favor!"
        E Steph saltou de sua cama ao dar de cara com Solano entrando pela porta de seu quarto. Estava, como ainda se lembrava, lindo e sexy. Vestia calça e camisa
preta. Os cabelos ainda estavam longos e amarrados em um rabo, na nuca. O rosto moreno, bastante bronzeado, ressaltava ainda mais os olhos verdes  e os dentes extremamente
brancos que a acolheram num sorriso encantador. que ele deu ao vê-la, encolhida em si mesma, em cima da cama. Era um deus! Um deus perfeito e saborosamente másculo.
Um tributo a tal de testosterona!
        - Chegou rápido! - Ela disse brincando. Estava feliz por vê-lo ali. Não queria admitir, mas estava apavorada. Não sabia o que estava acontecendo, se o cara
se afogara por beber demais ou se alguém dera cabo da vida dele. Mas tinha que ser na sua casa, na sua piscina? Bem. Não na sua casa! Mas na casa de seu irmão. Tinha
que ter acontecido um assassinato, uma morte casual ou por acidente, bem na casa de Ambrose, quando ela estava responsável pela casa?
        Ele sentiu um gemido brotar no fundo de sua alma. Ela estava sentada na cama, perto da cabeceira, abraçada aos joelhos, numa atitude de desamparo que o consumiu.
Teve vontade de de abraçá-la e beijar-lhe aqueles cabelos escuros e sedosos. Era linda! E os olhos azuis, dos quais ele se lembrava tão bem, se arregalaram de surpresa
ao Vê-lo tão próximo.
        Stephanie não pôde evitar. Pulou nos braços de Solano e deixou claro que não sairia dos braços dele com muita facilidade.
        - Está assustada, gatinha? - Ele perguntou com a voz um pouco mais melosa do que queria transparecer.
        - Vou ser sincera contigo. Estou horrorizada. Aterrorizada demais para poder respirar. Está fácil para compreender agora como me sinto?
        - Confesso que seu irmão nunca deixou escapar que você pudesse ser do tipo... Medroso.
        - Tipo medrosa? Há um cadáver na piscina e...
        Solano estava com todos os seus sentidos em alerta. Muito, mas muito mais que que estivera para entrar pela casa sem ser visto pelos seguranças ou pelos
policiais. Ainda bem que não tivera que lutar também contra o alarme. Mas, aquela mulher que se atirara em seus braços...
        Ter Stephanie tão colada ao seu corpo não fizera parte de seus planos. Estava ali para ajudá-la e não para ter uma ereção tão mal vinda naquele instante!
Por que ele, que sabia driblar a morte, que tinha um extraordinário auto controle que já lhe salvara a vida inúmeras vezes, não conseguia controlar seu membro viril
e teimoso, só por que aquela estonteante morena, de olhos azuis e cabelos pretos, de curvas sinuosas, grandes seios e um grande traseiro, além das coxas grossas
e dos carnudos lábios estava em seus braços.
        "Deus Bendito! Quero beijá-la! Quero fazer amor com ela!"
        - Quem era ele? - Forçou-se a se concentrar no problema.
        - Ele quem?
        - O cadáver.
        - Ah! O cadáver! Ora! Como vou saber?
        - Ele estava em sua festa, não estava?
        - Não conhecia a metade das pessoas que estavam aqui e... A festa não era minha!
        - Não? - Ele ainda se esforçava para pensar no objetivo de sua ida até ali. Por que ela não ia se sentar na cama? Por que tinha que ficar nos braços dele,
daquele jeito, como se ele fosse o super homem que viera salvá-la?
        - Claro que não! Acha que sou maluca de dar uma festa na casa de Ambrose?
        Stephanie sentia-se muito bem nos braços dele. Sabia que aquela sensação de proteção era algo do qual fazia tempo que não experimentava. Muitas vezes, desejava
sentir algo semelhante com os homens com quem saía, mas nunca, nenhum deles, conseguira fazê-la sentir-se bem como se sentia agora. Era como ter encontrado, nos
braços dele, tudo aquilo pelo qual procurara a vida inteira. Era muito bom estar ali, amparada por aqueles braços fortes, encostar sua cabeça naquele peito largo
e musculoso e ouvir as batidas do coração dele.
        - Parece que foi exatamente isso o que você fez. Ainda parece que você deu uma festa! Mudaram o nome disso e nem me avisaram?
        - A festa era da tia Glorinha. Ela me jurara que falara com Ambrose e que ele lhe dera a permissão. Quando o defunto foi descoberto e todos sairam correndo,
ela me disse, entre um soluço e outro, que mentira para mim, pois sabia que Ambrose nunca permitiria que ela desse uma festa na casa dele. E saiu. O pior é que Ambrose
jamais irá acreditar em mim.
        - Para dizer a verdade, nem eu acredito.
        - Viu? Meu irmão voará de Londres, mais rápido que a velocidade da luz e acabará comigo com a mesma velocidade. E o pior é que ele vai estar coberto de razão.
        - E o que você quer que eu faça?
        - Ora! Já sabe. Telefone para ele e diga que tem um defunto na piscina dele!
        - E em que isso vai lhe ajudar a escapar da fúria de Ambrose Gallagher, o vulcânico lorde inglês? Ele não precisa de muito para explodir e você está lhe
dando um motivo e tanto!
        - Ei! Quer me deixar pior do que já me sinto? Chamei-o para que me ajudasse não para que me fizesse sentir-me mais apavorada! Você é Solano Morelli, cunhado
dele e... E... Por mais incrível que possa parecer, acho que é a única pessoa em todo o planeta que não teme Ambrose. E a única a quem ele respeita.
        - Agradeço comovido pela bajulação, mas ainda não percebi como ele deixará de estrangulá-la, estraçalhá-la, picá-la em um milhão de pedacinhos e jogá-la
na piscina junto com o morto? - Ele brincava mas sabia que Steph estava certa. Se ele ligasse e, além de dar uma explicação plausível, ele se comprometesse a tomar
conta da situação, Ambrose Gallagher não precisaria vir de Londres. Se tivesse que fazê-lo por causa de mais uma traquinagem da irmã, com toda a certeza não seria
tão condescendente com ela. Realmente, ele a picaria em mil pedaços!
        - Pelo que me lembro e, pelos relatos de Dughlas, Patrícia, Evangeline e até mesmo do próprio Lorde inglês, você nunca tremeu nas bases por causa do gênio
explosivo de seu irmão. Tanto quanto Evangeline, sempre soube ignorar os ataques de mau humor dele. Aliás, você foi o exemplo a ser seguido por minha irmã.
        - Solano! Antes eu nunca dera uma festa aqui e nunca ninguém caiu morto na piscina! Acha que ele me abraçará e consolará com um beijo na testa? Vai matar-me!
        - Não seja dramática! O lorde ingLês, no máximo, vai lhe dar uma bronca e só.
        - Estou preocupada com a minha pele. Ambrose não fala, Ambrose ruge! Acha que ele vai apenas me dar os pêsames por que há um cadáver em sua piscina? Vai-me
arrancar a pele como se descascasse uma tangerina! Isso, depois de esbravejar com aquela voz de trovão nos meus ouviidos, né?
        - Você não me parece uma pessoa que se preocupa muito com a própria pele. Caso contrário, não atiraria sua vida na lama como faz. Sabe que deixa seu irmão
preocupado e... - Solano perdera o sarcasmo de repente. A ironia, o sorriso cínico de homem safado que só pensava em sexo, desaparecera de seu rosto. Stephanie era
uma fonte constante de dores de cabeça para Ambrose Gallagher. Seu comportamento era atípico para uma mulher da idade dela. Se perdera numa época qualquer da adolescência
e de lá se recusava a sair.  E, exatamente como uma adolescente destemida, ia em sempre em busca de emoções forte. Gostava de esportes radicais. Até aí, tudo bem,
ele também gostava. Saltar de para- quedas, voar de asa delta, escalar, tudo isso era para ele um alívio do estresse. Ela, porém, fazia questão de mostrar que não
tinha medo algum de coisa alguma e acabava por ignorar toda e qualquer regra de segurança, colocando, não apenas a vida dela em risco, como a vida daqueles que a
acompanhavam nas loucas aventuras que inventava. Infelizmente, todos aqueles que faziam parte do grupo que sempre a seguia, era tão desajustados quanto ela. Se um
dizia: Mata! Um outro, imediatamente gritava: Esfola! E Solano até se surpreendia que nenhum deles tivesse morrido ainda. Eram ávidos demais pelo perigo! Seriam
ótimos agentes, se não fosse aquela necessidade doentia de encontrar a morte em cada aventura.
        - Ah! Mas não quero morrer estraçalhada por Ambrose. Seria vergonhoso demais!
        - Sei...
        - Não! Não sabe! Ele vai-me obrigar a morar em Londres e eu não quero morar lá. Tenho 26 anos e preciso viver minha própria vida! Não quero a sombra de Ambrose
eternamente nas minhas costas!
        Solano ia dizer que se ela amadurecesse um pouco, parasse com aquele ritmo desenfreado com o qual levava a sua vida, se parasse com as badernas típicas dos
adolescentes, talvez Ambrose a olhasse com outros olhos. Porém, Stephanie era uma máquina de autodestruição que poderia carregar junto com ela, a todos que, por
acaso, estivessem a sua volta. O melhor que ele poderia fazer era ajudá-la da melhor maneira possível. E depois, desaparecer. Ela não lhe convinha como mulher. Era
certo que era desgraçadamente linda e perfeita, mas... Aquilo era só a fachada. Por dentro era puro veneno. Pronta para levar um homem saudável a cometer loucuras
das quais jamais poderia se recuperar. Tinha que se manter distante dela. Não o conseguira até agora?  E não dera certo até então? Ia conversar com o encarregado
das investigações e tentar livrá-la de complicações. Entretanto, isso seria bastante difícil. Se suspeitassem dela, Ambrose acabaria tendo que vir ao Rio.
        - Você conversou com os policiais que estão lá fora? - Ela perguntou após afastar-se dele e ir  sentar-se outra vez na cama. Ele reparou quando ela resolveu
dobrar os joelhos para cima e abraçá-los outra vez, tornando a ficar na mesma posição em que ele a encontrara. Era bem melhor tê-la longe de seu corpo. Nunca a tocara.
E tê-la em seus braços, do jeitinho que ela ficara, sentir-lhe o perfume dos cabelos, sentir-lhe o corpo quente e cheio de vida, estava sendo uma tortura. Estaria
ela abraçando-o de propósito a fim de excitá-lo e forçá-lo a ajudá-la? Era típico dela usar o sexo para conseguir o que queria. Conhecia-a bem. Não era nenhuma santinha
do pau oco. Os homens, na vida dela, eram as vítimas. Ela era uma predadora. No entanto, parecia tão frágil em seus braços! Instintivamente, colocou os polegares
nos bolsos dianteiros de sua calça de brim, como era o seu hábito.
        Mas não podia se deixar levar por um sentimento de ternura por uma mulher que poderia dilacerar-lhe a alma. Isso ele não poderia permitir. E a única maneira
de se livrar da morte certa, seia mantendo-se distante dela como fizera até então. Não que não a desejasse.
        "Deus Santo!" Como a desejava! Como queria ter aquela mulher. Durante todo o tempo rm que estivera longe do alcance dela, não deixara de protegê-la. Ela
corria perigo e nem tinha noção do quanto era perigoso para ela ficar ali. Ele sabia da festa e ficara alerta. Ela estava sozinha no Rio. Seus pais estavam em Londres.
Ele precisava ajudá-la. Era por essa razão que estava tão perto quando ela pediu ajuda. Ele já estava pronto a ajudá-la. Porém, não previra aquele assassinato. Talvez,
nem o próprio assassino o tivesse previsto.
        De sua cama Stephanie o olhava com atenção. Fora terrivelmente delicioso estar entre aqueles braços fortes, sentir aquele peito encostado em seu corpo. Era
seguro estar com ele. Mas olhá-lo a uma certa distância como fazia agora também era prazeroso. Embora estar nos braços dele fosse infinitamente melhor.  Ele era
lindo! Não tinha mais aonde ser lindo! lindo não era bem o termo. Era tão másculo que a beleza ficava em segundo plano. Parecia perigoso. Seu olhar frio era capaz
de congelar o Saara e o kilauea de uma só vez.
        Para piorar, aqueles olhos intensamente verdes, aquele cabelo lido, negro e comprido, sempre amarrado em um rabo de cavalo. Era de arrebatar qualquer coração.
Deveria ter muitas mulheres. Com certeza que tinha. Deveria ser movido a sexo. Era muito másculo para ser diferente. Uma simples mulher jamais deixaria aquele homem
satisfeito. Ele fora feito para fazer amor! Fora criado exclusivamente para isso! Estava escrito em seu rosto duro e frio que o sexo era a distração que ele mais
gostava.
        "Como deve ser bom estar embaixo dele e despentear aqueles cabelos longos! Deve ser bom puxá-los a cada arrepio de prazer! E eu ainda vou experimentar essa
sensação de estar sendo... Ah! Céus! Quero esse homem em cima de mim!"
        E aquelas roupas pretas? Será que ele fazia algum tipo? Era proposital aquelas roupas e aquele cabelo na altura dos ombros?
        Sentira a pistola dele quando o abraçara. Só andava armado. Infelizmente, por mais que se esforçasse, não sentira nele uma ereção. Não tinha tesão por ela?
        Tinha que parar de pensar nele como uma máquina de sexo. Ele não fora ali para fazer amor com ela e sim para tirá-la de uma confusão. Era nisso que ela tinha
que pensar. Mas, se ele quisesse fazer amor com ela ali, naquele momento, não teria nenhum problemas em tirar o short curtíssimo que usava. Deveria ter ficado de
roupão e nua por baixo. quemsabe, displicentemente deixar aparecer um seio? Ou, simplesmente cruzar as pernas e deixá-lo ver que estava sem calcinha? Por que vestira
aquele short? Como se oferecer a ele de maneira sutil?
        - Não passei por eles. - Ele falou trazendo-a de volta a realidade.
        Stephanie riu. Sentia, entre suas coxas, toda a umidade de sua excitação. Contudo, ele parecia ignorar tal fato. Estaria fazendo gênero? Era um jogo? Se
fosse, tinha que saber quais eram as regras. Queria fazer amor com aquele homem. E tinha que ser o mais rápido possível!
        - Você entrou aqui sem que a polícia o tivesse visto?
        - Era preciso. Não sabia direito do que se tratava. Precisava ouvir primeiro a sua versão da história.
        - Como você consegue?
        - O que?
        - Não se faça de bobo! Como consegue entrar numa casa sem que ninguém o veja?
        - Por que quer saber?
        - Se eu tivesse uma habilidade dessas, ia roubar museus e joalherias. Talvez alguns bancos. Ia ter muito dinheiro para gastar.
        - Você já tem muito dinheiro para gastar.
        - Nunca pensou em enriquecer com esses talentos que esconde na manga?
        - Não! - Ele respondeu enigmático e ela achou que a frieza dele era devido ao assunto em questão. Porém, ele parecia usar uma máscara. Os olhos verdes pareciam
congelá-la. Por que ele estava levando a sério o que ela dissera?
        - Ei! Estava brincando! Não fique tão zangado! Acho que você está do lado do bem; né?
        Ele permaneceu calado.
        - Ei! Não sou uma ladra, tá legal? Só estava admirando suas qualidades.
        - Você nunca pensou  que se Deus lhe deu apenas uma boca e dois ouvidos, deveria ser para que falasse menos e ouvisse mais? Aprenda a calar-se! Pelo menos,
enquanto desejar que eu ajude você a sair dessa com o seu irmão. OK? Use esse seu cérebro pelo menos uma vez na vida, caso ele ainda não tenha sido atrofiado pelas
drogas e pelas bebidas!
        - Não uso drogas!
        - Não? - Ele riu sarcástico. - Enquanto subia até aqui, vi alguns indícios espalhados pelo caminho. Acho que os investigadores vão ter uma conversinha longa
com você.
        Stephanie o olhou assustada.
        - Não uso drogas. Acredite em mim. Não uso drogas!
        O olhar dela era quase um lamento, uma súplica!
        "Bom Deus! Eu não vou conseguir resistir a essa mulher!"



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                          Romances no Rio 8 - Critos do passado


                      

              

2 comentários:

  1. Adorei essa história! Vc escreve muito bem. Adoro todos oso seu livros.

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  2. puxa vida ñ faz isso quero ler esse livro
    muito boooooooooommmmm

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