domingo, 17 de julho de 2011

Série Os Sheikes no Rio 2 - Feitos Um Para o Outro

Sheik Nasser - Príncipe do Bahrain
            Eles foram prometidos um ao outro, muito antes até mesmo de serem gerados. Mas o destino  levou sua prometida para outros caminhos e ela se casou com outro
enquanto ele esperava por ela. Um dia, se reencontraram. Ela estava só. Prometeram esquecer o passado e recomeçar, a partir dali. Então, ela apareceu grávida de
outro homem! Agora, ele quer vingança e para isso vai esquecer a razão pela qual um fora prometido ao outro: A paz entre seus países.

 Um sheik no Rio 2 – Feitos umpara o outro
        Primeiro, ela viu a surpresa estampada no rosto dele. E já esperava por isso.
        - Grávida?
        Depois, a total falta de compreensão do que estava sendo dito.
        - Como grávida? Não entendo... Acho que não compreendi muito bem o que você disse...
        Em seguida, o espanto.
        - Mas eu... Mas nós... Eu e você... Não...
        O cérebro tentando compreender. Havia, em seu entendimento, duas formas de engravidar. Cientificamente, num laboratório ou numa clínica, através de tubos
de ensaio, de inseminação artificial ou... Ou... Ou? "Oh, Deus! Não!"
        - Mas isso não faz o menor sentido!
        A descrença.
        - Diga que não é verdade! Não há nenhuma razão para que você esteja grávida!
        O entendimento.
        - Você... Grávida? Tem certeza? É mesmo verdade?
        A negação.
        - Não acredito! Não pode ser verdade. Você não faria isso comigo... Conosco... Jurou que me amava! Só pode estar brincando, não é? Coisas que vocês gostam
de fazer lá no Brasil, no Rio de Janeiro, não é? Pegadinha! Brincadeirinhas!
        Mais dúvidas.
        - Está falando sério? Não acredito em você! Sei que está brincando! Vai começar a rir a qualquer momento, não é?
        A aceitação.
        - Não está rindo? Está realmente falando sério? Deus! Realmente está falando a verdade!
        E, por fim, a revolta.
        - Saia daqui! Saia da minha frente! Se ficar aqui não sei o que vou fazer!
        Os olhos do sultão Khalid  bin Malik bin Harum Al Karim imploravam que a mulher a sua frente, desmentisse o que acabara de lhe dizer. Mas ela não poderia,
não tinha como. Preferia, um milhão, um bilhão de vezes, poder assegurar ao homem amado que era apenas uma brincadeira de mau gosto, um mal entendido, que ele não
ouvira direito... Qualquer coisa que amenizasse a dor que ela via naqueles olhos negros, olhos que ela tanto amava e que, agora, além do espanto, da revolta e da
angústia, traziam ódio e fúria, nojo e ressentimento.
        - Como grávida? Como pode estar grávida se eu a respeitei, exatamente como você pediu e... Oh, Deus! Você me traiu! Você dormiu com outro homem! Como pôde?
Como pôde? Disse que me amava, jurou que sempre ficaria ao meu lado, me amando, me respeitando... Jurou que seríamos felizes juntos... Mentiu! Você mentiu! Me enganou!
Riu de mim! Mentirosa! Desgraçada! Maldita!
        Bem, agora tudo estava bastante claro. /Sempre seria assim com Khalid Al Karim? Sempre precisando sair pela tangente? Volta e meia era necessário dançar
na corda bamba quando estava com ele. Sempre tinha algo para esclarecer, uma situação escondida para ser elucidada. Aquilo já estava se tornando uma chatice. Haveria
um dia em que ambos teriam um pouco de paz?
        Pelo que podia perceber, era claro que não. O que acontecera jamais seria perdoado. E ela compreendia isso muito bem. O melhor era deixar que a vida seguisse
seu rumo.
        - Não tem nada para dizer? Não tem nada para explicar? - As chamas de puro ódio estavam refletidas naqueles olhos negros  e transpassados pela dor. Ela o
decepcionara outra vez!
        Jalilah ouvia a voz de Khalid. Ele parecia transtornado. Como ela poderia explicar para ele que estava grávida mas que a culpa não era dela? O melhor era
calar-se e ouvir toda aquela acusação. Deixar que ele lavasse a alma, que a ofendesse. Talvez, assim, ela poderia aceitar aquele destino ingrato que lhe fora imposto.
Merecia ouvir todas as acusações de Khalid Al Karim. Devia-lhe isso. Fora infiel, não a ele, mas ao amor que ambos sentiam um pelo outro. Afinal, ele não deixava
de ter razão. Não se deitara com ele, por mais que ambos ansiassem por aquilo. Ele a respeitara durante todo aquele tempo. Ela pedira e ele, que já a esperara por
toda a vida, jurara que a esperaria um pouco mais. E, naqueles oito meses de espera, ela engravidara de outro homem!
        - Você me traiu, Jalilah!  Não era uma pergunta. Era uma afirmação. E, era incontestável. Sim. Ela o traíra. Ela o traíra vergonhosamente, diante de todos.
E não tinha como explicar tal fato. O que devia fazer? Era melhor que ele se fosse. Não tinha o direito de querer ajuda dos céus, de esperar um milagre. Khalid Al
Karim iria embora e tudo se acabaria. Na verdade, nem deveria ter começado!
        Ele voltaria para Nura Noor , o país dele, todos saberiam que o casamento deles jamais iria acontecer e... Enquanto todos estariam tentando compreender por
que o sultão Khalid bin Malik Al Karim, que esperara por sua prometida por vinte e oito anos, depois que passara por tantos percalços acreditando que sua amada um
dia retornaria a Althea e se tornaria sua esposa, agora a deixava a ver navios, sem qualquer explicação e ela, do nada, apareceria grávida. Grávida!
        Era óbvio que todos perceberiam que o filho não era dele!
      Por qual razão o teimoso sultão que, contra todas as probabilidades, esperara ansioso que sua amada um dia reaparecesse e, quando ela aparece, ele, que dera
uma festa de uma semana em seu país a abandonaria? Que sentido teria aquela história para os súditos de seu país?
        Ele a olhava interrogativamente. No fundo ainda tinha uma remota esperança de que ela lhe desse uma desculpa razoável, uma explicação plausível. Mas, que
desculpa uma mulher que estivera ao seu lado nos últimos oito meses poderia lhe dar para uma gravidez que ele sabia não ter causado. Nem ao menos pousara suas desejosas
mãos naquela mulher. E não fora por falta de vontade. Muito pelo contrário. Tivera que esforçar-se além da conta, algo que por vezes lhe parecera impossível, para
não ultrapassar as barreiras que ela lhe impunha.
        Oh, Deus! Como desejara tomá-la em seus braços e saboreá-la, centímetro a centímetro. Sempre que conseguia beijá-la, sempre que a pegava desprevenida, ansiava
por ir mais além, de rasgar-lhe as roupas, de possuí-la em qualquer lugar! Queria que sua boca percorresse todo aquele corpo que o deixava louco, queimando de desejo.
Queria tanto fazer amor com ela que o sangue latejava em suas têmporas só por pensar nela. Sonhava com ela, que a tomava e a possuía todas as noites. E, pela manhã,
quando se levantava, estava cansado, dolorido e ainda mais faminto de Jalilah. Era-lhe impossível suportar aquela tortura. Estava pagando todos os pecados que cometera
na vida e por todos que um dia cometeria!
        E, há quanto tempo esperava por ela? Não era justo que a perdesse depois de tanta espera, depois de tanta angústia! Afinal, ela iria sempre fazer dele um
idiota? Já não fora considerado um bobo por que esperara por ela por vinte e oito anos? Muitos não riram da cara dele? Obviamente, pelas costas, claro. Quem seria
louco de rir abertamente dele? somente alguém que não temesse ser morto por sua espada ou mesmo por suas mãos nuas! Ele era o sultão, o senhor e a lei de seu país,
de seu povo. Qualquer um que temesse pela própria vida, pensaria muito antes de lhe fazer qualquer desfeita. Era rígido e rigoroso. Até mesmo cruel e sanguinário!
E não era um homem que perdoava facilmente.
        Exceto... Jalilah! Sempre ela! Sempre a maldita Jalilah que agora lhe dizia com a cara mais deslavada que estava grávida de outro homem!
        Fora cavalheiro e leal. Fora sincero quando a perdoara pela falta que cometera. Afinal, ela não tivera culpa. Demorara muito para compreender aquilo e, quando
achara que tudo estaria bem, que ela calara o seu machismo ultrapassado, ela lhe dizia que voltaria para o Brasil, para São Paulo e que estava grávida! Como pudera?
Como tivera coragem? Não passava de uma manipuladora mesquinha e vulgar! Usara-o. Usara-o sem o menor pudor! Divertira-se as suas custas durante o tempo que estivera
no palácio de seu pai em Althea, no Oriente Médio. A princesinha o usara e agora o jogava fora como um lenço velho! Maldita mulher! Por que acreditara nela? Brincara
com ele para poder passar aquele tempo que lhe devia parecer monótono. Estava acostumada com a vida noturna das cidades decadentes. Era igual a sua irmã Jamile,
de quem todos diziam não ter nada na cabeça além de si mesma. Enganara-se ao acreditar que Jalilah, a doce e tímida Jalilah, de pele morena, de longos cabelos negros
e profundos olhos verdes, era diferente. Aquela tristeza que aparentava era pura fachada. Aqueles olhos melancólicos não passavam de um truque a mais para enganar
trouxas iguais a ele! Deveria matá-la. Deveria apedrejá-la em praça pública! Podia ser que no país de seu pai, em Althea, as coisas estavam mudando, que as mulheres
tinham liberdade. Em seu país as coisas não eram assim! Não ainda! E, se dependesse dele, jamais o seriam. Como ficariam os súditos de seu país se todas as mulheres
começassem a agir de maneira tão vulgar e profana como Jalilah agira com ele?
        Nunca promoveria tais mudanças em sua terra! Afinal, manter as mulheres caladas e escondidas nos fundos da casa, na ala destinada para aquelas insanas, eternamente
longe dos homens era a melhor maneira de proceder. Elas nunca poderiam gozar da mesma liberdade que eles, os verdadeiros merecedores de tais regalias. Elas jamais
poderiam e nem deveriam  ter os mesmos direitos. Quando se davam liberdade as mulheres, era aquilo que acontecia. Elas os traíam vergonhosamente! Se ela fosse a
sua mulher...
        Ainda bem que não era! Ainda bem Que não cometera aquele gesto louco de casar-se com uma mulher que não merecia o seu amor! E se o tivesse feito... Talvez
nem chegasse a saber que o filho que ela trazia em seu ventre era de outro!
        Oh! quase se casara com a maldita! Agora  tinha que pensar com clareza, com tranquilidade. O que deveria fazer? Contar ao pai dela como fora vergonhosamente
traído?
        O rei de Althea deveria estar muito infeliz por ter trazido aquelas duas filhas infiéis para dentro de seu palácio! A outra era louca de tudo, Mas, pelo
menos, deixava claro que não prestava nem um pouco. Não era uma dissimulada como Jalilah, Sua quase noiva enganava com aquele ar de timidez e pureza. Fingida! Mentirosa!
Quase se casara com ela! quase a tornara sua esposa, rainha de seu povo, sultana de seu país!
        E ele caíra na armadilha que ela preparara!
        Deveria fazer com que o rei de Althea se retratasse. Deveria fazer com que o rei castigasse suas duas filhas como elas mereciam. Chibatadas em praça pública!
Apedrejamento! Morte! Queria a total destruição daquela mulher que tornara sua vida impossível desde o momento em que nascera. E ela nascera para ele! Fora feita
para ele, assim como ele fora feito para ela!
        "Maldita promessa!" Grunhiu entre os dentes. O ódio ameaçava tomar conta de seu juízo e ele precisava recorrer a todo e qualquer estratagema para não ceder
a tentação de deflagrar uma guerra entre o seu sultanato e o país vizinho, o país daquela mulher que nascera para o aviltar!
        Aquilo era uma maldição? Já não bastara ter esperado tantos anos para tê-la como esposa e agora ela brincava, mais uma vez, com os sentimentos dele?
        que tipo de mulher era aquela? Uma enviada do mal? alguém a quem fora prometido apenas para levá-lo ao desespero e o seu país a uma guerra?
        Não fora justamente esse o objetivo que seu pai e o pai daquela mulher infernal se uniram para evitar que um dia guerreassem entre si, que um dia se tornassem
inimigos? E aquela infeliz, a todo instante, brincava com a paciência dele!
        No momento, a sua vontade era a de entrar em um helicóptero, enchê-lo de bombas e atirá-las todas, bem em cima daquele palácio e assim, sepultar a todos
os membros daquela família que só servia para rir as suas custas!
        Por que o seu pai o colocara naquela situação? O que o sultão Malik tinha na cabeça quando fez aquela maldita promessa? Por que escrevera aquele juramento,
aquela bobagem de criança em sua alma? Por que jamais o deixara esquecer?
        Malik, seu pai, quando ele era bem pequeno, sempre lhe repetia até a exaustão, aquela história como se quisesse marcá-lo, como uma tatuagem, para que ele
jamais se esquecesse que, fora prometido a filha do rei de Althea, em nome de uma paz que ele e seus filhos deveriam perpetuar através dos séculos vindouros!
        "Era uma vez, três amiguinhos que cresceram juntos ouvindo falar de guerras e mais guerras nos países vizinhos e que juraram que isso jamais aconteceria
com eles!
        Abdul Qadir, Jafar e Malik, desde meninos, juraram entre si que em suas terras, jamais haveria aquelas guerras, aqueles tanques pelas ruas, aquela devastação,
tantas mortes, tanto desperdício de forças e riquezas.
        Juraram então que, entre eles, jamais se veria tanta destruição a troco de nada. Sempre seriam amigos!
        E o que Abdul Qadir, Jafar e Malik poderiam fazer de concreto para selar aquele juramento?
        -     Jurar com sangue! -  Disse um deles.
        - Nada disso! Isso pode ser esquecido! - Um outro dissera.
        - Já sei! Vamos casar nossos filhos. Assim, sempre seremos uma família e ninguém vai querer atacar o outro.

        Havia dúvidas se isso daria certo. Não viam sempre um filho destronar um pai? Um irmão matar o outro pelo reino?
        Ficaram em silêncio.
        - Mas nós somos pessoas de bem. Jamais seríamos capazes de matar um irmão ou de destronar nossos pais! - Jafar falou.
        - Mas você nem tem um reino, Jafar! Seu pai é um ministro!
        - Meu pai é o braço direito de seu pai. E poderia destroná-lo se quisesse. Há quantas gerações o primeiro filho de minha família é o braço direito do rei
de Althea? Um de meus antepassados já não poderia ter usurpado o poder e se tornado rei?
        - É... Podia... - Tinha lógica no argumento de Jafar.
        Abdul Qadir e Malik concordaram. Ambos eram filhos de soberanos. Abdul Qadir, filho do rei de Althea e Malik, filho do sultão de Nura Noor . Ambos seriam
rei a seu tempo. E ambos esperavam que ainda demorasse muito para que isso acontecesse. Eram jovens demais para tantas preocupações.
        Seus reinos, incrivelmente, viviam em paz, embora estivesse cravado entre o deserto e o Golfo.
        Seus dois países, o reino de Althea e o sultanato de Nura Noor , eram prósperos, jorrando petróleo noite e dia, transformando-os, de um momento para o outro,
em potências mundiais.
        Dessa forma, acabaram por se decidirem que o primeiro filho de um deles, qualquer que fosse, se casaria com a primeira filha do outro.
        - E se só formos pais de meninos? - Jafar perguntou. Esse era o sonho de todo menino daquele lugar. As meninas não eram muito bem vistas. Filhos do sexo
masculino seguiam os passos do pai.
        Sorriram satisfeitos ao imaginar a casa cheia de rapazes.
        - E se só tivermos meninas?
        Aquelas palavras soaram como um balde de água gelada em seus sonhos. Quem queria ter uma casa cheia de filhas? Para quem um soberano deixaria seu reino?
        - Temos que pensar direitinho nessas situações.
        - Não é melhor deixar que Alá resolva o que é melhor para nossas famílias? - Malik perguntou.
        - Até é. Mas nós apenas estamos dando uma forcinha. Não é assim que os conselheiros agem? - Abdul Qadir falou.
        Bem... Então, o primeiro filho de um de nós se casa com a primeira filha do outro, certo? - Malik resolveu perguntar.
        - Mas eu não sou filho de um rei. O meu primeiro filho vai poder se casar com a primeira filha de um de vocês?
        - Claro que vai! - Malik e Abdul Qadir responderam em uníssono. Essa é a lei que estamos criando para os nossos futuros reinos!
        E assim, os três meninos levaram aquela promessa para todo o sempre!"
        E assim acabava a história que seu pai lhe contava, noite após noite, ano após ano, até mesmo depois que os quatro filhos do rei Abdul Qadir haviam sido
raptados, e a sua prometida, entre eles.
        Seu pai falava e falava sem cessar.
        Tanto falara que ele acabara por acreditar naquela idiotice que só o deprimia e desgraçava a cada vez que se deparava com a falsa, a fingida, a traidora
Jalilah!
        E ainda  ouviu mesmo depois que sua mãe morrera, vítima de um franco atirador no reino de Althea, quando queriam acertar o rei daquele país.
        E continuou com aquela historinha por anos a fio, até mesmo enquanto se passavam vinte e cinco anos em que a sua prometida continuava desaparecida, sem nenhuma
pista sobre o seu paradeiro!
        Agora, depois de ouvir da boca da maldita que ela estava grávida de outro homem, quando ele não a tocara, quando respeitara as leis de sua fé, tratando-a
como uma virgem, quando queimara de desejo por noites a fio, quando lhe roubara um beijo e depois se desprezara por deixar que a paixão falasse mais alto que as
suas convicções, que a sua ética e até mesmo que a sua moral, a desgraçada vinha e lhe dizia que estava grávida de outro!
        Era ou não para enlouquecer?
        Ela queria ou não que uma guerra estourasse entre os dois países?
        Ou ser traído daquela forma não era razão para levantar as armas e destruir o país de seu vizinho?
        As promessa feitas antes mesmo que seu pai e sua mãe sequer pensassem em se  conhecer deveriam ter tanto peso?
        Na verdade, tinham. Embora seu amigo Hassan tivesse se lixado para as promessas que seu pai fizera, tanto que se casara e se fora, a ele não parecia correto.
A palavra de um homem era o seu bem mais precioso. E ele honrara a sua palavra. Quem não honrara fora o rei Abdul Qadir, i rei de Althea!
        E, quando um homem não honra com a sua palavra, deveria pagar com um outro bem tão precioso: Sua própria vida!
        E era isso que ele deveria obrigar que o rei de Althea fizesse! Tinha uma dívida com ele! Tinha que pagar! Com a própria vida! Ou com a vida de sua filha!
Ou com uma guerra, onde a vida de seus súditos seria perdida! Nenhum sacrifício de Althea deveria ser pequeno diante da ofensa que sofrera!
        O que lhe importava o que fora acordado entre seu pai e os outros? Ele não estava lá para decidir. Agora, diante da ofensa que aquela mulher lhe causara,
diante da vergonha a que fora exposto, tinha um milhão de razões para procurar um ajuste de contas!
        E iria rumo a sua vingança!
        Afinal, o que ele tinha a ver com aquela amizade que fizera de seu pai um cego diante da realidade? Seu pai jamais compreenderia que ele fora insultado!
Seu pai relevaria! Covardemente! Ele não!  E ele não iria engolir aquele insulto, aquela  ofensa, aquela vergonha em silêncio!
        O mundo veria do que ele era capaz! Destruiria Althea!
        Que se danassem os ideais de seu pai! Nem queria mais ouvir falar daquela história, da qual ele não fazia mais parte, de que eram amigos, acima de qualquer
coisa, tão unidos,  que temiam que a economia ou a política, algo tão frágil no Oriente Médio, os afastassem e destruísse aquela amizade que os tornara tão leais
uns com os outros.
        Foram inseparáveis na infância. E foram inseparáveis por toda a vida. Ainda eram amigos e sempre estavam em contato. Jamais haviam deixado qualquer contratempo
atrapalhar aquela amizade de toda a vida e nem a paz que haviam conseguido em seus países.
        Nem mesmo quando a esposa de Malik fora morta em Althea, mesmo dilacerado, Malik jamais culpara o rei Abdul Qadir.
        No reino de Althea, moravam o príncipe Abdul Qadir e seu irmão mais jovem, o príncipe Suleimman. Todavia, o mais velho jamais se misturava com o próprio
irmão. Filhos de mães diferentes, Suleiman tinha em sua própria mãe a amiga e mentora, preferindo passar a maior parte do tempo ao lado dela.
        Abdul Qadir, que era órfão de mãe e não suportava ficar perto da madrasta, a pessoa mais invejosa que ele já conhecera, preferia a companhia de seus amigos
de sempre, Jafar, filho do Sheik Said e Malik, filho do sultão Harum.
        Os três conheciam bem a fragilidade daqueles reinos e conheciam o futuro que os esperava, quando se tornassem os soberanos de seus países.
        Embora houvessem sido criados para governar, para colocar o bem estar de seus respectivos países acima de qualquer coisa, acreditavam que a amizade que os
unia deveria estar acima de todo e qualquer interesse. Seus pais, embora fossem bons governantes, viam aquela demonstração de apreço com certo receio. Sabiam que,
quando uma amizade era forte daquele jeito e algum contratempo surgia para atrapalhar e romper aqueles laços tão fortes, o ódio e o ressentimento que surgiam por
trás de tal rompimento poderia ser algo terrivelmente danoso a todos que estavam em volta. E homens se tornavam mais infantis que verdadeiras crianças quando queriam
vencer algum embate que julgavam importante demais para manter o orgulho intacto.
        Entretanto, os três adolescentes também sabiam disso. E, prometeram um ao outro que, acontecesse o que acontecesse, jamais se levantariam um contra o outro.
Juraram. Prometeram.
        Selaram a promessa com um aperto de mãos!


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Os Sheiks no Rio 2 - Feitos um para o outro - Romance sensual.doc 

                                      Feitos um para o outro

  


nfelizmente, aas coisas ruins  que acontecem com aqueles ídolos que tanto amamos, também devem ser  compartilhadas. Assim, informo as meninas que ainda não haviam tomado conhecimento, que o sheik Rachid faleceu dia 15 de setembro de 2015, vítima de um ataque cardíaco.










Anjos, Esperança e Gratidão 2 - Um Voo Nas Asas Da Gratidão

        Muitas vezes, a vida ataca de forma tão feroz que uma pessoa se sente perdida em meio a tanta desolação e destruição. Por mais...